4º Encontro de Psicólogas (os) do Trânsito acontece na sede do CRP-RJ

Categoria(s):  COREP, MOBILIDADE, Notícias, Últimas Notícias   Postado em: 17/12/2018 às 10:05

O Eixo de Psicologia do Trânsito e Mobilidade Humana da Comissão Regional de Direitos Humanos do CRP-RJ promoveu, no dia 13 de dezembro, na sede do Conselho, o 4º Encontro de Psicólogas (os) do Trânsito do Estado do Rio de Janeiro. O debate foi um evento preparatório para o 10º Congresso Regional da Psicologia do Rio de Janeiro (COREP) e teve como objetivo mobilizar as (os) psicólogas (os) que atuam na área do Trânsito a pensar e produzir propostas de atuação para os Conselhos Federal e Regionais de Psicologia nos próximos três anos.

A conselheira-coordenadora do Eixo, Janaína Sant’Anna (CRP 05/17875), deu início ao encontro destacando a importância da participação da categoria nos Pré-Congressos Regionais de Psicologia, debatendo e votando propostas e candidatando-se a delegada (o) para o COREP.

Em seguida, a conselheira do CRP-RJ apresentou uma contextualização histórica sobre a atuação psi no Trânsito, realizando avaliação psicológica para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), desde a década de 1940. Ela também destacou a luta da categoria na década de 1970 contra a extinção da obrigatoriedade da realização do exame psicotécnico para obtenção da CNH e mencionou a mobilização da categoria e entidades (CRPs, CFP, ABRAPSIT) para inclusão da avaliação psicológica no processo de renovação da CNH no texto do novo CTB (PL 8.085).

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Janaina e Aline (ao microfone) na mesa de debates

Janaina Sant’Anna defendeu, ainda, a aprovação do Projeto de Lei do Senado (PLS) nº 098/2015, em tramitação no Congresso Nacional e que determina a obrigatoriedade da avaliação psicológica também para renovação de CNH. Segundo a conselheira do CRP-RJ, a aprovação do PLS configuraria “o aumento substancial na demanda de avaliação psicológica, a ampliação do mercado de trabalho para psicólogas (os) e maior visibilidade para a Psicologia junto à sociedade”.

Ela apontou que a Psicologia possui um potencial campo de atuação – ainda inexplorado – na área do Trânsito e afirmou que a prática psi nesse área deve ser para além da realização da avaliação psicológica para CNH. “É muito importante que comecemos a fazer uma reflexão profunda sobre a nossa prática, sobre o que estamos ofertando à sociedade e o que podemos oferecer a mais através da nossa prática. A avaliação psicológica para fins de CNH é uma porta de entrada da Psicologia para a sociedade, pois poderíamos ter uma atuação muito mais ampla”, argumentou.

Aline Barbosa Figueiredo Gomes (CRP 05/36088), mestre em Clínica, Política e Exclusão Social pela UFF, professora da Pós-Graduação de Políticas Públicas no Centro Universitário Celso Lisboa e diretora científica da Associação Brasileira de Psicologia do Trânsito (ABRAPSIT-RJ), iniciou sua fala lembrando a importância das políticas públicas como instrumento de garantia da cidadania para determinados segmentos sociais.

A psicóloga também questionou a relação da Psicologia do Trânsito com as políticas públicas. “Qual a relação do nosso trabalho com as políticas públicas de mobilidade e trânsito? De que forma pensamos a mobilidade: como um todo ou ainda estamos muito atravessados pela prática da avaliação psicológica? Vemos que, desde 1940, temos uma prática voltada para essa avaliação e uma luta enorme para permanecermos nessa atuação”, ponderou.

“Como aplicadores de uma avaliação psicológica, nossa participação no contexto do trânsito tem sido pelo viés da segurança, dado o norte da nossa atuação, que se dá pela avaliação e não pela formação. Poderíamos repensar nossa atuação como instrumento de educação não apenas do motorista, mas também do pedestre, do passageiro, do motociclista, daqueles com mobilidade reduzida. Quer dizer, o trânsito tem muitos outros atores do que temos pensado”, afirmou ela.

Aline Gomes também defendeu um modelo de mobilidade pensado para além do carro apenas. Segundo ela, é preciso pensar uma atuação voltada para o ser humano como um todo, e não para o carro, para o motorista. “Ao pautar nossa prática na aprovação de condutores, estamos trabalhando com um viés individualizado”, apontou.

Ao final da mesa, as (os) participantes pensaram e produziram dez propostas relacionadas à área da mobilidade Humana e do Trânsito que serão postas em votação em um Pré-Congresso.