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CRP-RJ debate saúde e condições de trabalho da Psicologia em Maricá
Data de Publicação: 16 de outubro de 2026
O Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP-RJ), por meio da Comissão Gestora da Região Leste Fluminense, realizou, em 1º de outubro, a primeira Reunião Ampliada de Maricá. O encontro aconteceu na Universidade de Vassouras — Campus Maricá, com o tema “Entre o Cuidado e o Adoecimento: a Saúde de Quem Trabalha com Psicologia”, reunindo psicólogas e estudantes.
O colaborador Waldenilson Ramos (CRP 05/72529) iniciou a atividade agradecendo a presença das participantes. Na mediação da abertura, a conselheira Ianara (CRP 05/39745) apresentou a atuação da Comissão Gestora e da subsede nos municípios da região, destacando sua posição como a segunda maior do estado em número de inscritas(os), e agradeceu à universidade pela cessão do espaço.
A presidenta do CRP-RJ, Viviane Martins (CRP 05/32170), ressaltou que o encontro integra o projeto de descentralização e regionalização do Conselho e reconheceu o trabalho da Comissão Gestora na aproximação com a categoria. Reafirmou as atribuições de orientação e fiscalização, a importância do Código de Ética e o compromisso com pautas de valorização profissional, como o piso salarial e a jornada de 30 horas, convidando a categoria a participar dessas mobilizações.
A coordenadora do curso de Psicologia da UniVassouras Campus Maricá, Michele Mariana, destacou a contribuição dessa proximidade entre Conselho, profissionais e estudantes para a formação. Após a abertura, a psicóloga Adriana Penatti conduziu uma atividade de apresentação corporal, incorporando uma experiência de cuidado por meio do corpo à programação.
Cuidado e compromisso ético
Na mesa temática, Juliana Tempone (CRP 05/57709), colaboradora da Comissão de Saúde e Bem Viver e coordenadora do Eixo de Álcool e Outras Drogas do CRP-RJ, abordou como as trajetórias pessoais atravessam a escuta profissional. A partir de sua experiência na atenção psicossocial e na atenção primária à saúde, lembrou que psicólogas e psicólogos também são pessoas trabalhadoras, afetadas pelas desigualdades e pelas condições de trabalho.
Juliana ressaltou que essas experiências precisam ser elaboradas para que não se tornem uma medida imposta à vida de quem recebe atendimento. “Não precisamos ter passado pelas mesmas coisas para assumir um compromisso ético com quem sofre”, pontuou.
Ao discutir a saúde da categoria, apresentou estratégias de cuidado pessoal, coletivo e institucional, como o respeito aos limites entre trabalho e vida pessoal, a supervisão e as redes de apoio entre colegas. Também destacou a responsabilidade das instituições na garantia de condições adequadas ao exercício profissional, reforçando que sobrecarga, assédio e falta de reconhecimento exigem respostas coletivas.
“A psicologia não é missão, é profissão. E profissão tem limites, ética, responsabilidade institucional”, afirmou.
Precarização e organização coletiva
A presidenta do Sindicato de Psicologia do Rio de Janeiro, Julienne Parada, relacionou a ampliação dos campos de atuação da Psicologia aos desafios enfrentados pela categoria. Sua apresentação abordou a precarização como um processo que envolve instabilidade, baixa remuneração, fragilização da proteção social e desgaste físico e psicológico, inclusive no serviço público.
Julienne também discutiu as desigualdades de gênero em uma profissão predominantemente feminina e a importância de considerar raça, classe e território na compreensão das condições de vida e trabalho.
Outro ponto foi a chamada “uberização” dos serviços de Psicologia. A apresentação abordou como plataformas digitais, avaliações e exigências de visibilidade podem intensificar a concorrência e acrescentar atividades não remuneradas à rotina, como a produção constante de conteúdo para atrair clientela. Nesse cenário, Julienne ressaltou a importância da organização coletiva e da defesa de condições dignas de trabalho.
O encontro fortaleceu o diálogo sobre a saúde de quem trabalha com Psicologia e sua relação com a qualidade do cuidado oferecido à população, reafirmando a importância da participação da categoria na construção de respostas aos desafios da profissão.