V Seminário em Comemoração ao Dia da (o) Psicóloga (o) lota auditório da Subsede de Nova Iguaçu

Categoria(s):  BAIXADA, DIA DO PSICÓLOGO, Notícias   Postado em: 22/08/2019 às 15:19
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Auditório lotado da Subsede Baixada

Cerca de 80 participantes – entre psicólogas (os) e estudantes – lotaram o auditório da Subsede do CRP-RJ em Nova Iguaçu, no dia 17 de agosto, para assistir à 5ª edição do Seminário em Comemoração ao Dia da (o) Psicóloga (o), que teve como tema “Da Clínica a Políticas Públicas: vamos falar de depressão”.

O evento foi aberto pelas psicólogas Mônica Valéria Affonso Sampaio (CRP 05/44523) e Gabriela Braz (CRP 05/56462), respectivamente coordenadora e integrante da Comissão Gestora do CRP-RJ na Baixada. Conforme destacou Mônica Sampaio, a realização do evento cumpria uma demanda da categoria da região para debater a temática da depressão.

“O CRP é feito por todos nós, nesse momento eu estou aqui coordenadora, mas são vocês que têm que pautar o que querem debater. Nós estamos sempre abertos para receber psicólogos de todos os municípios da região para pensar eventos e ações. O espaço do CRP só se valida com a presença de vocês”, defendeu a conselheira do CRP-RJ.

Em seguida, teve início a mesa temática, mediada pela psicóloga do CAPS III Jair Nogueira, de Nova Iguaçu, Vera Lúcia Lima (CRP 05/51313). A primeira palestrante foi Zilda Pavão (CRP 05/37801), psicóloga, psicoterapeuta Reichiana pelo Núcleo de Psicoterapia Reichiana e assistente no Curso de Formação do Núcleo de Psicoterapia Reichiana.

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Mesa de debates sobre depressão

A psicóloga abordou brevemente a história de terapia reichiana, que possui base psicanalítica, e destacou que, nessa linha teórica da Psicologia, corpo e psiqué estão intimamente ligados. Por isso, segundo afirmou, é uma abordagem teórica que busca trabalhar com expressões corporais e exercícios respiratórios, por exemplo, durante o processo analítico.

“Esse tipo de exercício é bom para qualquer um, e o que eu acho interessante na nossa prática é que ela não visa que o paciente tenha uma dependência do espaço terapêutico. O ideal da prática é que o paciente tome ciência das suas próprias questões e do seu próprio corpo. Assim, ele vai começar a entender que um aperto no peito pode dizer respeito a um sofrimento ou tristeza, por exemplo, e ele aprende a lidar com isso não só emocional, mas fisicamente também”, explicou.

Fernanda Calabar (CRP 05/49473), psicóloga, mestra em Psicologia pela UFRRJ e especialista em Terapia Cognitiva-Comportamental (TCC) pelo Centro Universitário Celso Lisboa, abordou a temática da depressão pela óptica da TCC. Inicialmente, a palestrante apresentou alguns dados sobre depressão.

“A Organização Mundial da Saúde diz que mais ou menos 300 milhões de pessoas no mundo vivem com depressão”, revelou. “Esse número é questionável, mas é um dado que eu gostaria de trazer para vocês hoje. A OMS afirma ainda que 7 de cada 10 pessoas não possui tratamento adequado. Então, temos um campo amplo para trabalhar como psicólogos”, defendeu.

“O TCC trouxe algumas estratégias terapêuticas para que a sessão fosse dinâmica. Ela começou a trazer o foco nesses pensamentos automáticos que poderiam desencadear depressão ou estados de tristeza. E começou a perceber como é o estilo da pessoa, como ela se relaciona com as outras pessoas, o que ela fazia e se poderiam ter novas possibilidades de mudança”, explicou a palestrante. “Os nossos pensamentos geram emoções, que geram comportamentos. Então, se questionar por essas ações ajuda a pessoa a pensar o que está fazendo da própria vida”.

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Psicólogas integrantes da Comissão Gestora da Baixada

Marcelle Braga Barbosa (CRP 05/35820), psicóloga da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PM) e membro do Fórum do Campo Lacaniano de Nova Iguaçu, deu continuidade ao debate revelando que a PM “tem um quadro bastante significativo de 100 psicólogos, profissionais muito comprometidos e empenhados”.

A seguir, a psicóloga falou sobre o acolhimento terapêutico de casos de depressão segundo a abordagem psicanalítica, que considera o sujeito como um ser social, estruturado a partir da linguagem. “O discurso psicanalítico abre espaço para que se considere a fala não unicamente no registro da doença, mas como índice da condição subjetiva. Isso equivale a dizer que cada paciente ou cada assistido pelas políticas públicas tem uma história que envolve os traços que foram marcando sua vida desde a mais tenra infância e que lhe são absolutamente singulares”, defendeu.

Ela teceu críticas contundentes também ao processo de patologização e medicalização da vida. Em sua avaliação, “o momento da civilização em que nos encontramos não oferece espaço para o sujeito deprimido, que está sempre na contramão dos ideais de produtividade e progresso, do pensamento positivo e da gratidão, da felicidade e de todo discurso utilitarista”. Ainda segundo ela, é nesse contexto que “a depressão passa a ser entendida e tratada como patologia, como entidade própria e independente da subjetividade”.

Carla Maria Mendes (CRP 05/15725), doutora em Psicologia Social pela UERJ, professora do curso de Psicologia da UNIABEU e diretora técnica do HUMANIDADES (Estudos e Serviços em Qualidade de Vida), tratou do tema pela ótica da Psicologia Social e segundo a abordagem humanista – fenomenológica – existencial.

De acordo com ela, “ainda nos concentramos muito no sofrimento psíquico, na clínica privada, individual e tradicional. Mas eu me pergunto também como ser diferente disso diante do quadro alarmante de síndromes e patologias disseminadas diariamente, como a depressão. Com isso, cada vez mais, como psicólogos, seremos convocados a lidar com esses sofrimentos, que são muito democráticos, não escolhem classe social ou faixa etária”, problematizou.

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Participantes ao final do evento

“Falamos de uma espécie de epidemia de depressão, considerando os dados mundiais da doença. Nesse sentido, precisamos não apenas lutar contra essa doença mas também contra o preconceito de que seja algo banal, de que seja uma ‘frescura’, buscando fugir à questão biologizante” segundo a qual a depressão seria algo “desimplicado de vários condicionantes” sociais, históricos, culturais e subjetivos, acrescentou a palestrante, sublinhando a importância de uma prática clínica baseada no afeto e na escuta acolhedora.

Encerrando a mesa de debates, Helinton Mercante (CRP 05/48251), psicólogo, especialista em Psicologia Escolar e Inclusão e orientador profissional, falou sobre a depressão pelo viés da prática clínica gestáltica.

Conforme explicou, a base teórica da Gestalt é o contato. E por isso, de acordo com essa linha teórica, “a depressão pode ser entendida como um bloqueio de contato, que, na Gestalt, é como se fossem os mecanismos de defesa na Psicanálise. Ele remete à dessensibilização, isto é, a pessoa perde a sensibilidade para viver”.

Ainda segundo o palestrante, o psicólogo, independentemente do espaço onde atua, deve ter sempre um olhar atento e acolhedor, que “humanize o contato”. Para ele, “é importante nos sensibilizarmos com o outro, ter mais empatia, buscar mais contato, sem pressa, como um processo”.

Ao final do evento, foram prestadas homenagens a psicólogas (os) e instituições parcerias que têm contribuído na construção e no fortalecimento da Psicologia na região da Baixada Fluminense. Foram elas (eles): Viviane Siqueira Martins, integrante da Comissão Gestora do CRP-RJ na Baixada; Jorge Antônio Peixoto, colaborador do CRP-RJ em Queimados; Débora Sousa Vasconcelos, psicóloga de referência do CRP-RJ em Itaguaí; Fórum Grita Baixada, sendo representado pela Rede de Mães e Familiares que Sofreram Violência do Estado, Roberta Barzaghi e Sá, coordenadora do curso de Psicologia da UNIGRANRIO, e Edimilson Duarte de Lima, coordenador de curso de Psicologia da UNIABEU.