SEMINÁRIO “15 ANOS DO CREPOP: A PSICOLOGIA BRASILEIRA EM DEFESA DAS POLÍTICAS PÚBLICAS E DA DEMOCRACIA”: VEJA COMO FOI!

Categoria(s):  CREPOP, Notícias, POLÍTICAS PÚBLICAS, Últimas Notícias   Postado em: 06/12/2021 às 15:34

WhatsApp Image 2021-12-06 at 09.57.07Em comemoração aos 15 anos do Centro de Referências Técnicas em Psicologia e Políticas Públicas – Crepop -, o Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro – CRP-RJ, por meio da Comissão Especial de Eventos e da Comissão Regional de Psicologia e Políticas Públicas, realizou o Seminário “15 anos do CREPOP: A Psicologia brasileira em defesa das políticas públicas e da democracia”, ocorrido nos dias 18 e 19 de novembro de 2021.

O evento foi todo em formato digital com conferências transmitidas ao vivo pelas páginas do Facebook (acesse facebook.com/crprj/live) e pelo Youtube do CRP-RJ (acesse youtube.com/realcrprj), e mesas de debates realizadas pela plataforma Google Meet.

Os debates, que movimentaram psicólogas e psicólogos por esses dois dias, se pautaram na atuação efetiva da Psicologia nas políticas públicas, bem como no exercício ético, na defesa dos direitos humanos e da democracia.

O Seminário teve seu início na noite do dia 18, com a mesa institucional “Entre o que se acredita, o que se gosta e o que é necessário: Direitos Humanos, Psicologia e Políticas Públicas”, com a presença de Isabel Scrivano (CRP 05/26162 / CREPOP-RJ), Céu Cavalvanti (CRP 05/57816 / CRP-RJ) e Neuza Guareschi (CRP 07/01309 / CREPOP-CFP).

Isabel Scrivano, coordenadora do CREPOP no Rio e grande “anfitriã” do evento deu as boas-vindas a todas (os) presentes virtualmente e ressaltou: “nós gostaríamos de, nesse momento atual, de desmonte das políticas públicas e ataque à democracia afirmar a importância do trabalho da Psicologia nas políticas públicas. Assim como nosso posicionamento em defesa das políticas públicas, entendendo que Psicologia, políticas públicas e democracia não se dissociam”.

Em seguida foi a vez de Céu Cavalcanti, conselheira vice-presidente do CRP-RJ, pontuar que “política pública é um grande campo de disputa no Brasil. Se há políticas que apesar de serem públicas, produzem acirramento das desigualdades e produzem, inclusive, mortificação e combate a determinadas populações, há outras, por outro lado, como o SUAS (Sistema Único de Assistência Social) que produzem afirmação da vida, a redução concreta da desigualdade, da miséria, da fome. Esta políticas públicas produzem um efeito direto a toda uma população especialmente a que mais precisa”.

Encerrando a mesa institucional, Neuza Guareschi , psicóloga representante do CREPOP no âmbito do Conselho Federal de Psicologia – CFP – ponderou que “todo esse desmonte que vem ocorrendo, deve nos mobilizar ainda mais para pensar no nosso trabalho no campo das políticas públicas, a partir de uma ética cidadã, que há de consolidar os nossos processos democráticos em prol da garantia de direitos, engajados numa política de direitos humanos. Ou seja, nesse contexto de desmonte, considerando a rede de complexidades que constituem o terreno de nossas práticas psicológicas, no serviço dessa política pública, precisamos buscar pensá-las em consonância com a ética profissional que está diretamente relacionada à formas de como consolidamos nossos processos democráticos relativos a nossa constituição federal de 88, com as prerrogativas de direitos em prol de uma política de direitos humanos”.

Após a mesa institucional, as psicólogas e psicólogos presentes foram brindados com a apresentação cultural do Seminário: um trecho da peça “Paulo Freire, o andarilho da utopia”, com Richard Riguetti. Homenagem potente neste ano que é o centenário do patrono da educação brasileira, uma política pública de importância incomensurável no nosso país.

A Conferência de Abertura “Democracia? Presente! Que Psicologia construímos e para onde queremos ir?” teve a fala do conselheiro presidente do CRP-RJ e professor da UFRJ,Pedro Paulo Bicalho.

“Falar sobre a história social da Psicologia no Brasil é falar de luta, de aproximação com as políticas públicas, é falar de transformação. Portanto a Psicologia deixou de ser aquela profissão majoritariamente privatista, intimista e liberal, se tornando a profissão das políticas públicas. Hoje, as políticas públicas têm cerca de 60% de psicólogas e psicólogos em atuação. E isso só foi possível com todo o processo de democratização e com o fortalecimento desta democracia e das políticas públicas”, explicou Bicalho.

Para assistir na íntegra, tudo o que rolou no dia 18, clique aqui https://www.youtube.com/watch?v=Hpjh4ilAouc

 

O dia 19 foi bastante movimentado, iniciando com a mesa de debates, na parte da manhã, “Violência de Estado e Políticas Públicas: qual o papel da Psicologia nas questões de gênero e raça?”, realizada pelo Google Meet, com a participação de  Luciana Janeiro (CRP 05/37932 / DPERJ), Juliana Scaffo (CRP 05/57354/ CAPSad Alameda) e Roberta Brasilino (CRP 05/42501 / CREPOP-RJ).

À tarde, a mesa de debate “O que tem a ver laicidade nas políticas públicas com o trabalho da Psicologia?”, também realizada pelo Google Meet, trouxe as contribuições de Héder Bello (CRP 05/51594 / CRP-RJ), Isabel Scrivano (CRP 05/26162 / CRP-RJ / IFRJ) e Jaqueline Sério (CRP 05/63619 / CREPOP-RJ).

Encerrando o evento, a Conferência de Encerramento “Neo(necro)liberalismo e impactos na população brasileira: e agora, psicólogas?”, foi transmitida ao vivo pelo Facebook e Youtube do Conselho, e teve a presença de João Paulo Barros (CRP 11/04395 / UFC) e Claudia Freire (CRP 05/35943 / UNESA/ UNIFESO), além da mediação da coordenadora da Comissão de Eventos do CRP-RJ, Mônica Sampaio (CRP 05/44523), e Roberta Brasilino, assessora técnica do CREPOP-RJ.

Mônica trouxe sua vivência enquanto psicóloga atuante em política pública e ressaltou a importância do CREPOP e das Referências Técnicas para a sua atuação profissional. “Quando eu saio da política da mulher, e  vou trabalhar no CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), eu não tinha visto nada daquilo na minha graduação. Eu queria saber o que fazia uma psicóloga no CRAS, e aí eu comecei a ler a referência sobre esse tema e esse foi o meu primeiro contato com as referências técnicas. Ali, eu vi que nós temos muitas delas e fiquei apaixonada. A referência técnica é construída da nossa prática lá na ponta, do serviço, do equipamento. Hoje, se eu chego numa coordenação, o que está do meu lado nas políticas públicas, é o meu Código de Ética e todas as nossas referências técnicas”, explicou a psicóloga.

Roberta ponderou que “ao adentrar nas políticas públicas, a Psicologia reflete sobre o seu lugar, o que estamos fazendo lá dentro, com quem nós queremos dialogar, com que setores da população brasileira nós queremos dialogar, quais alianças nós queremos fazer para realizar essa aproximação”.

O que pode-se perceber a partir das falas no Seminário é que com essa inserção, cada vez mais abrangente da Psicologia em todas as políticas públicas, possuir referenciais técnicos para uma atuação condizente com o Código de Ética e com o compromisso social da profissão tornou-se cada vez mais pertinente. Não é possível que a Psicologia compactue ou sirva como instrumento de perpetuação de discriminações e desigualdades.

Como afirmou João Paulo “A necropolítica está relacionada com a produção de mundos de mortes, ou seja, certos contextos nos quais a democracia não chega. O neoliberalismo na versão de necropolítica produz desigualdades, processos antidemocráticos e políticas de mortificação”.

E neste contexto, é fundamental o papel desempenhado pelo Crepop, que produz seus referenciais por meio de consultas à categoria atuante, de forma que cada documento produzido é profundamente conectado com a realidade daquela política pública. O apreço pela democracia e a defesa dos direitos humanos, não obstante o fato de serem reafirmados pelo Código de Ética, estão no cerne da Psicologia brasileira para além das normativas: é a forma como esta ciência e profissão se constituem, não sendo possível uma atuação ética distante destes princípios.

Conforme Cláudia Freire Vaz falou: “o trabalho do CREPOP é essencial nesse momento, estamos passando por anos em que essa resistência, ela é mais do que nunca essencial. Essa falta do Ministério do Trabalho, de uma lógica de trabalho que não tem como pensar só na economia, mas também deveria pensar no trabalho enquanto um direito humano, enquanto o trabalho sendo articulado com questões de saúde. Essa é uma forma de trabalho que a gente precisa retomar para conseguir avançar com a política pública. Precisamos de mudanças para 2022, o panorama é muito triste quando a gente pensa no trabalhador dentro dessa lógica atual em que vivemos. A atuação da (o) psicóloga (o) tem que estar ligada a toda essa resistência, que historicamente passamos e que estamos em mais um momento de muita violência física, simbólica e de todas as ordens”.

Para assistir a Conferência de Encerramento na íntegra, clique aqui.

Ou seja, mais do que nunca é imprescindível a afirmação da vida, da democracia e dos direitos humanos. Este Seminário foi mais uma das formas com as quais o CREPOP, o CRP-RJ e a Psicologia reafirmam seu compromisso ético. Este Seminário foi e continuará sendo, por meio do compartilhamento das ideias e das falas aqui compartilhadas, mais um instrumento de resistência.

No Crepop, a democracia está na sua constituição, é sua “pedra” fundamental: atuar nas políticas públicas e defender os direitos das pessoas é resistir, é existir, é a Psicologia brasileira.