2º Pré-Congresso da Região Serrana mobiliza psicólogas (os) em Nova Friburgo

Categoria(s):  COREP, MEDICALIZAÇÃO, Notícias   Postado em: 11/03/2016 às 11:35

Primeiro Pré-Congresso da Baixada mobiliza psicólogas (os) em ItaguaíCRP-RJ promove 2º Pré-Congresso Regional de Psicologia na Região Serrana, desta vez em Nova Friburgo Dando continuidade à agenda de Pré-Congressos Regionais de Psicologia pelo estado do Rio de Janeiro, o CRP-RJ promoveu, no dia 5 de março, em Nova Friburgo, o 2º evento da Região Serrana, que terá eventos ainda em Petrópolis (12 de março) e em Carmo (1º de abril).

O encontro foi iniciado pelo psicólogo e coordenador da Comissão Gestora do CRP-RJ na Região Serrana, Ismael Eduardo Machado Damas (CRP 05/42823). Ele deu as boas-vindas a todas (os) as (os) participantes e destacou a importância da mobilização da categoria em todos os municípios da região, fortalecendo a regionalização das discussões políticas fomentadas pelo CRP-RJ.

Mesa de debates

Em seguida, antecedendo a instalação do Pré-Congresso, teve início uma mesa de debates sobre “Medicalização”. Participaram Marinaldo Silva Santos (CRP 05/5057), presidente do Sindicato dos Psicólogos do Estado do Rio de Janeiro (SINDPSI) e membro do Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade, e Aline Laje, membro da Comissão de Educação do CRP-RJ e integrante do Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade.

Marinaldo iniciou o debate destacando que o Fórum “não se coloca contra o uso de remédios. Nós somos contra o uso excessivo da medicação para justificar questões diversas de nossa vida em sociedade”.

O presidente do SINDIPSI abordou como a medicalização está presente no cotidiano da escola a partir de sua experiência como psicólogo concursado da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. “Eu atuo no PROINAPE (Programa Interdisciplinar de Apoio à Escola), que tem equipes compostas por professores, psicólogos e assistentes sociais. Nosso trabalho se dá no sentido de auxiliar a escola que está com dificuldades de lidar com seus alunos”.

“Nossa atuação no PROINAPE não tem uma abordagem voltada para a Psicologia Clínica, muito pelo contrário. Geralmente quando um aluno apresenta alguma dificuldade, seja comportamental, seja na aprendizagem, as escolas tendem a colocá-lo como o culpado dentro desse processo de fracasso escolar. Então, nosso trabalho se dá no sentido inverso, mostrando que a escola tem que se enxergar e se implicar num projeto de educação mais amplo que não seja apenas passar conteúdo aos alunos. Nosso foco é fazer a escola voltar a se encontrar com seus alunos através de um projeto de educação mais democrática e libertadora”, finalizou.

Aline, por sua vez, provocou diversas reflexões a partir da fala de Marinaldo. “Se pararmos para pensar, vemos como é interessante o próprio nome do PROINAPE, ou seja, um programa de apoio à escola baseado numa atuação intersetorial. Agora, o desafio é potencializarmos os conceitos presentes nesse nome, especialmente no que diz respeito à intersetorialidade”.

Para ela, no processo de apoio à escola, é preciso “questionar o que cada um entende por escola: o que o aluno entende por escola, o que o professor, psicólogo e assistente social, por exemplo, acham que seja a escola. Há visões de escola em disputa e nós entendemos escola como um espaço para uma formação mais ampla, onde todos os profissionais de educação – incluindo aí o porteiro, o pessoal da merenda, o professor, e a coordenação pedagógica – devem estar implicados com a formação do aluno”, defendeu ela.

Ainda de acordo com Aline, “nós, profissionais de Psicologia, devemos atuar na escola sem medicalizar as relações tecidas nesse espaço. Mesmo não sendo de natureza clínica, a abordagem psicológica na escola pode medicalizar essas relações. É preciso estar atento à abordagem muitas vezes individualizante sobre aquele aluno, pois não podemos desconectá-lo de seu contexto. Por isso, é possível medicalizar mesmo não fazendo clínica da mesma forma que é possível fazer uma prática clínica não medicalizante”.

Pré-Congresso

Após o debate, teve início o Pré-Congresso Regional de Psicologia com a eleição da mesa diretora para a condução dos trabalhos. Foi, então, feita a leitura e aprovação do Regimento Interno do evento e, a seguir, as (os) participantes reuniram-se para debater e elaborar propostas. Ao todo, foram elaboradas e aprovadas 12 propostas para o Congresso Regional de Psicologia (COREP), que acontecerá no Rio entre 29 de abril a 1º de maio.

Encerrando o evento, aconteceu a eleição de delegadas (os). Foi eleita uma psicóloga para representar a região no COREP, além de um delegado estudante titular e outro suplente.

Março de 2016