Pré-Congresso reúne psicólogos e estudantes de Psicologia da Região dos Lagos na UFF de Rio das Ostras

Categoria(s):  COREP, EDUCAÇÃO, MEDICALIZAÇÃO, Notícias   Postado em: 13/03/2016 às 11:48

Dando sequência ao processo de eventos que teve início em fevereiro e vai até abril, o litoral norte do Rio de Janeiro foi palco de mais um pré-congresso, na sexta-feira, dia 11 de março. Sediado pelo campus da UFF (Universidade Federal Fluminense) no município de Rio das Ostras, o evento mobilizou estudantes e profissionais da região, resultando na eleição de três delegadas – sendo duas psicólogas e uma estudante – e na elaboração de três propostas, a serem encaminhadas pelas representantes eleitas ao 9º COREP (Congresso Regional de Psicologia) que será realizado na capital fluminense entre os dias 29 de abril e 1º de maio. A eleição das representantes e a votação das propostas foram precedidas por um importante debate sobre medicalização, com palestras de dois membros do Fórum Sobre Medicalização da Educação e da Sociedade: a psicóloga Maria Helena do Rego Monteiro de Abreu (CRP 05/24180) e Aline Lima da Silveira Lage, professora de Psicologia no Instituto Nacional de Educação de Surdos, respectivamente conselheira e colaboradora da Comissão de Psicologia e Educação do CRP-RJ. Antes de iniciarem o debate sobre o tema, as palestrantes passaram o vídeo “Medicalização da Vida Escolar”, produzido por Helena Rego Monteiro como parte das pesquisas que desenvolveu durante seu mestrado em educação na UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), há quase dez anos. “De que estamos falando quando falamos em medicalização?”, introduziu a psicóloga, destacando a necessidade de se distinguir “medicalização” de “medicamentalização”, para não se transmitir a ideia equivocada de que se está condenando o uso de medicamentos. “Quando se fala do uso abusivo de psicofármacos, está-se falando de medicamentos, então trata-se de medicamentalização. A medicalização não é só a prescrição excessiva de psicofármaco: é o modo como a vida tem sido normalizada pela racionalidade biomédica, com prescrição e condutas, terapias e fármacos para todos os níveis de existência. Etapas da vida passam a ser objetos de intervenção a medicina. A infância, a adolescência, a velhice”, explicou Monteiro. “‘Tomar uma taça de vinho por dia’: por quê? Porque é bom, é uma delícia tomar vinho, mas agora não, a gente ‘tem’ que tomar vinho porque ele age de uma determinada maneira sobre o corpo. Já repararam que agora a gente ‘tem que escovar a língua’? Temos milhões de bactérias que nos fazem bem, que são nossas ‘amigas’, que podem ficar conosco, não precisam ser eliminadas. E aí vem uma prescrição de que ‘não podemos mais conviver com nossas amigas bactérias’”, exemplificou, apontando slides com imagens relacionadas a hábitos que se tornaram “prescritos”. “Quando vira ‘ter que fazer’, vira uma prescrição”, criticou. A psicóloga deu diversos outros exemplos, como o de que “tem que ter tesão até morrer”, incentivando idosos a consumirem medicamentos que estimulem a libido, a ereção etc., como se não fosse natural que o tesão fosse esmorecendo e deixando de ter espaço na vida das pessoas. Ela teceu uma série de críticas, numa palestra que atraiu a atenção dos profissionais e estudantes de Psicologia presentes. Processo de elaboração de propostas e eleição de delegadas Para leitura do regimento e condução do processo de eleição de delegados e propostas, compuseram a mesa diretora as psicólogas Alessandra Daflon (CRP 05/26697), como presidente, e Fernanda Haikal (CRP 05/34248), assessora de Políticas Públicas do CRP-RJ, como relatora; e a estudante de Psicologia da UFF, Lara Guimarães Taborda, como secretária. Como em todos os congressos que precedem a 9ª edição do COREP, as propostas foram elaboradas a partir dos seguintes eixos temáticos: organização democrática do Sistema Conselhos de Psicologia e aperfeiçoamento das estratégias de diálogo junto à categoria e sociedade (eixo 1); contribuições éticas, políticas e técnicas do processo democrático e da garantia de direitos (eixo 2) e ampliação e qualificação do exercício profissional do Estado de garantia de direitos (eixo 3). Assim, foi aprovada, a partir do eixo 3, a proposta de que o Sistema Conselhos de Psicologia promova “a interlocução com as instituições de ensino superior, incentivando e orientando a promoção de ações de extensão, pesquisas e formação de psicólogos na área de psicologia escolar” e “debates visando a qualificação de profissionais de psicologia na área de educação para pensar estratégias de como lidar com as demandas de diagnóstico e medicalização de crianças que apresentam queixa escolar, de forma articulada com o SUAS e o SUS”. Também aprovou-se, a partir do eixo 1, a proposta de que seja aberta uma subsede na Região dos Lagos, já que os profissionais afirmaram necessitar de “um espaço de troca de experiências e promoção de debates para dar suporte às demandas locais”. Por fim, a partir do eixo 2, foi proposto que “as COE’s (Comissões de Orientação e Ética) possam articular junto com a ABEP e as instituições de formação o debate sobre as disciplinas de Ética: sua função no currículo, seu conteúdo”. “As propostas que saíram foram muito interessantes, que acredito que terão força no COREP e mostram a necessidade de ampliação desse diálogo com a categoria”, avaliou a assessora de Políticas Públicas do CRP-RJ, Fernanda Haikal, que também é membro da Comissão Organizadora do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro.Dando sequência ao processo de eventos que teve início em fevereiro e vai até abril, o litoral norte do Rio de Janeiro foi palco de mais um pré-congresso, na sexta-feira, dia 11 de março. Sediado pelo campus da UFF (Universidade Federal Fluminense) no município de Rio das Ostras, o evento mobilizou estudantes e profissionais da região, resultando na eleição de três delegadas – sendo duas psicólogas e uma estudante – e na elaboração de três propostas, a serem encaminhadas pelas representantes eleitas ao 9º COREP (Congresso Regional de Psicologia) que será realizado na capital fluminense entre os dias 29 de abril e 1º de maio.

A eleição das representantes e a votação das propostas foram precedidas por um importante debate sobre medicalização, com palestras de dois membros do Fórum Sobre Medicalização da Educação e da Sociedade: a psicóloga Maria Helena do Rego Monteiro de Abreu (CRP 05/24180) e Aline Lima da Silveira Lage, professora de Psicologia no Instituto Nacional de Educação de Surdos, respectivamente conselheira e colaboradora da Comissão de Psicologia e Educação do CRP-RJ.

Antes de iniciarem o debate sobre o tema, as palestrantes passaram o vídeo “Medicalização da Vida Escolar”, produzido por Helena Rego Monteiro como parte das pesquisas que desenvolveu durante seu mestrado em educação na UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), há quase dez anos. “De que estamos falando quando falamos em medicalização?”, introduziu a psicóloga, destacando a necessidade de se distinguir “medicalização” de “medicamentalização”, para não se transmitir a ideia equivocada de que se está condenando o uso de medicamentos.

“Quando se fala do uso abusivo de psicofármacos, está-se falando de medicamentos, então trata-se de medicamentalização. A medicalização não é só a prescrição excessiva de psicofármaco: é o modo como a vida tem sido normalizada pela racionalidade biomédica, com prescrição e condutas, terapias e fármacos para todos os níveis de existência. Etapas da vida passam a ser objetos de intervenção a medicina. A infância, a adolescência, a velhice”, explicou Monteiro.

“‘Tomar uma taça de vinho por dia’: por quê? Porque é bom, é uma delícia tomar vinho, mas agora não, a gente ‘tem’ que tomar vinho porque ele age de uma determinada maneira sobre o corpo. Já repararam que agora a gente ‘tem que escovar a língua’? Temos milhões de bactérias que nos fazem bem, que são nossas ‘amigas’, que podem ficar conosco, não precisam ser eliminadas. E aí vem uma prescrição de que ‘não podemos mais conviver com nossas amigas bactérias’”, exemplificou, apontando slides com imagens relacionadas a hábitos que se tornaram “prescritos”. “Quando vira ‘ter que fazer’, vira uma prescrição”, criticou.

A psicóloga deu diversos outros exemplos, como o de que “tem que ter tesão até morrer”, incentivando idosos a consumirem medicamentos que estimulem a libido, a ereção etc., como se não fosse natural que o tesão fosse esmorecendo e deixando de ter espaço na vida das pessoas. Ela teceu uma série de críticas, numa palestra que atraiu a atenção dos profissionais e estudantes de Psicologia presentes.

Processo de elaboração de propostas e eleição de delegadas

Dando sequência ao processo de eventos que teve início em fevereiro e vai até abril, o litoral norte do Rio de Janeiro foi palco de mais um pré-congresso, na sexta-feira, dia 11 de março. Sediado pelo campus da UFF (Universidade Federal Fluminense) no município de Rio das Ostras, o evento mobilizou estudantes e profissionais da região, resultando na eleição de três delegadas – sendo duas psicólogas e uma estudante – e na elaboração de três propostas, a serem encaminhadas pelas representantes eleitas ao 9º COREP (Congresso Regional de Psicologia) que será realizado na capital fluminense entre os dias 29 de abril e 1º de maio. A eleição das representantes e a votação das propostas foram precedidas por um importante debate sobre medicalização, com palestras de dois membros do Fórum Sobre Medicalização da Educação e da Sociedade: a psicóloga Maria Helena do Rego Monteiro de Abreu (CRP 05/24180) e Aline Lima da Silveira Lage, professora de Psicologia no Instituto Nacional de Educação de Surdos, respectivamente conselheira e colaboradora da Comissão de Psicologia e Educação do CRP-RJ. Antes de iniciarem o debate sobre o tema, as palestrantes passaram o vídeo “Medicalização da Vida Escolar”, produzido por Helena Rego Monteiro como parte das pesquisas que desenvolveu durante seu mestrado em educação na UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), há quase dez anos. “De que estamos falando quando falamos em medicalização?”, introduziu a psicóloga, destacando a necessidade de se distinguir “medicalização” de “medicamentalização”, para não se transmitir a ideia equivocada de que se está condenando o uso de medicamentos. “Quando se fala do uso abusivo de psicofármacos, está-se falando de medicamentos, então trata-se de medicamentalização. A medicalização não é só a prescrição excessiva de psicofármaco: é o modo como a vida tem sido normalizada pela racionalidade biomédica, com prescrição e condutas, terapias e fármacos para todos os níveis de existência. Etapas da vida passam a ser objetos de intervenção a medicina. A infância, a adolescência, a velhice”, explicou Monteiro. “‘Tomar uma taça de vinho por dia’: por quê? Porque é bom, é uma delícia tomar vinho, mas agora não, a gente ‘tem’ que tomar vinho porque ele age de uma determinada maneira sobre o corpo. Já repararam que agora a gente ‘tem que escovar a língua’? Temos milhões de bactérias que nos fazem bem, que são nossas ‘amigas’, que podem ficar conosco, não precisam ser eliminadas. E aí vem uma prescrição de que ‘não podemos mais conviver com nossas amigas bactérias’”, exemplificou, apontando slides com imagens relacionadas a hábitos que se tornaram “prescritos”. “Quando vira ‘ter que fazer’, vira uma prescrição”, criticou. A psicóloga deu diversos outros exemplos, como o de que “tem que ter tesão até morrer”, incentivando idosos a consumirem medicamentos que estimulem a libido, a ereção etc., como se não fosse natural que o tesão fosse esmorecendo e deixando de ter espaço na vida das pessoas. Ela teceu uma série de críticas, numa palestra que atraiu a atenção dos profissionais e estudantes de Psicologia presentes. Processo de elaboração de propostas e eleição de delegadas Para leitura do regimento e condução do processo de eleição de delegados e propostas, compuseram a mesa diretora as psicólogas Alessandra Daflon (CRP 05/26697), como presidente, e Fernanda Haikal (CRP 05/34248), assessora de Políticas Públicas do CRP-RJ, como relatora; e a estudante de Psicologia da UFF, Lara Guimarães Taborda, como secretária. Como em todos os congressos que precedem a 9ª edição do COREP, as propostas foram elaboradas a partir dos seguintes eixos temáticos: organização democrática do Sistema Conselhos de Psicologia e aperfeiçoamento das estratégias de diálogo junto à categoria e sociedade (eixo 1); contribuições éticas, políticas e técnicas do processo democrático e da garantia de direitos (eixo 2) e ampliação e qualificação do exercício profissional do Estado de garantia de direitos (eixo 3). Assim, foi aprovada, a partir do eixo 3, a proposta de que o Sistema Conselhos de Psicologia promova “a interlocução com as instituições de ensino superior, incentivando e orientando a promoção de ações de extensão, pesquisas e formação de psicólogos na área de psicologia escolar” e “debates visando a qualificação de profissionais de psicologia na área de educação para pensar estratégias de como lidar com as demandas de diagnóstico e medicalização de crianças que apresentam queixa escolar, de forma articulada com o SUAS e o SUS”. Também aprovou-se, a partir do eixo 1, a proposta de que seja aberta uma subsede na Região dos Lagos, já que os profissionais afirmaram necessitar de “um espaço de troca de experiências e promoção de debates para dar suporte às demandas locais”. Por fim, a partir do eixo 2, foi proposto que “as COE’s (Comissões de Orientação e Ética) possam articular junto com a ABEP e as instituições de formação o debate sobre as disciplinas de Ética: sua função no currículo, seu conteúdo”. “As propostas que saíram foram muito interessantes, que acredito que terão força no COREP e mostram a necessidade de ampliação desse diálogo com a categoria”, avaliou a assessora de Políticas Públicas do CRP-RJ, Fernanda Haikal, que também é membro da Comissão Organizadora do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro.Para leitura do regimento e condução do processo de eleição de delegados e propostas, compuseram a mesa diretora as psicólogas Alessandra Daflon (CRP 05/26697), como presidente, e Fernanda Haikal (CRP 05/34248), assessora de Políticas Públicas do CRP-RJ, como relatora; e a estudante de Psicologia da UFF, Lara Guimarães Taborda, como secretária.

Como em todos os congressos que precedem a 9ª edição do COREP, as propostas foram elaboradas a partir dos seguintes eixos temáticos: organização democrática do Sistema Conselhos de Psicologia e aperfeiçoamento das estratégias de diálogo junto à categoria e sociedade (eixo 1); contribuições éticas, políticas e técnicas do processo democrático e da garantia de direitos (eixo 2) e ampliação e qualificação do exercício profissional do Estado de garantia de direitos (eixo 3).

Assim, foi aprovada, a partir do eixo 3, a proposta de que o Sistema Conselhos de Psicologia promova “a interlocução com as instituições de ensino superior, incentivando e orientando a promoção de ações de extensão, pesquisas e formação de psicólogos na área de psicologia escolar” e “debates visando a qualificação de profissionais de psicologia na área de educação para pensar estratégias de como lidar com as demandas de diagnóstico e medicalização de crianças que apresentam queixa escolar, de forma articulada com o SUAS e o SUS”.

Também aprovou-se, a partir do eixo 1, a proposta de que seja aberta uma subsede na Região dos Lagos, já que os profissionais afirmaram necessitar de “um espaço de troca de experiências e promoção de debates para dar suporte às demandas locais”. Por fim, a partir do eixo 2, foi proposto que “as COE’s (Comissões de Orientação e Ética) possam articular junto com a ABEP e as instituições de formação o debate sobre as disciplinas de Ética: sua função no currículo, seu conteúdo”.

“As propostas que saíram foram muito interessantes, que acredito que terão força no COREP e mostram a necessidade de ampliação desse diálogo com a categoria”, avaliou a assessora de Políticas Públicas do CRP-RJ, Fernanda Haikal, que também é membro da Comissão Organizadora do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro.

Março de 2016