CRP-RJ realiza segunda reunião com psicólogos do Programa de Atenção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Maus-Tratos

Categoria(s):  DIREITOS HUMANOS, Notícias, SOCIOEDUCATIVO   Postado em: 21/07/2006 às 12:15

O CRP-RJ promoveu, no dia 19 de julho, a segunda reunião em sua sede com psicólogos de instituições ligadas aos Programas de Atenção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Maus-Tratos.
Estiveram presentes o conselheiro-presidente do CRP-RJ, José Novaes, a conselheira-presidente da Comissão de Orientação e Ética, Ana Lucia de Lemos Furtado, o conselheiro-presidente da Comissão de Orientação e Fiscalização, José Henrique Lobato, a assistente técnica da Comissão de Orientação e Fiscalização, Anne Meller, a assistente técnica da Comissão de Orientação e Ética, Zarlete Faria, e a auxiliar administrativo da Comissão de Orientação e Ética, Juliana Drummond. Também participaram da reunião representantes do Programa de Atenção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Maus Tratos e do Núcleo de Atenção às Crianças e Adolescentes Vítimas de Maus Tratos da Fundação para Infância e Adolescência (FIA), do Hospital Geral de Bonsucesso, da unidade Niterói do programa Sentinela do Governo Federal, da Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente Vítima de Violência (DeCAV) e do Conselho Tutelar do Rio de Janeiro.

Ao início do evento, foi o lido o relatório da primeira reunião, realizada no dia 21 de junho, e foram feitas observações sobre as afirmações do documento que apresentavam imprecisão. Como havia sido acertado na última reunião, após a leitura, iniciou-se a apresentação dos programas dos quais os psicólogos fazem parte.

O primeiro a se apresentar foi o Programa de Atenção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Maus Tratos da FIA. Representado pelos psicólogos Desiree Machado Teixeira e Angelo de Oliveira Denis, o programa foi implantado em janeiro de 2001 e conta com quatro núcleos, localizados no Rio de Janeiro, São Gonçalo, Volta Redonda e Friburgo. Concebido para atender 720 crianças por mês, Desiree explicou que hoje o programa recebe mais denúncias do que pode dar conta e por isso tem que reencaminhar diversos pedidos a outras instituições. “Consideramos que a criança está em situação de risco e deve ser atendida emergencialmente, por isso, não podemos criar filas de espera.” Ela também disse que esse problema pode aumentar por causa do fechamento de dois núcleos, em Caxias e Nova Iguaçu, em junho de 2006, devido a um corte de 25% nas verbas do projeto feito pelo Governo Estadual.

Segundo Desiree, o programa atua a partir de solicitações feitas pelo Conselho Tutelar, Ministério Público e Poder Judiciário, sempre com o objetivo de garantir a defesa e garantia dos direitos das crianças e adolescentes. Desiree explicou que o objetivo do programa não é o tratamento terapêutico. “O que fazemos é, durante o processo de investigação do caso, passar orientações e informações de modo a construir uma reflexão crítica na família. Notamos sempre mudanças na dinâmica da família a partir disso”, disse ela.

Ela também explicou que a intervenção é planejada coletivamente em uma equipe formada por psicólogos, advogados e assistentes sociais. Mostrando os conceitos teóricos escolhidos pela instituição para as intervenções, ela salientou que estes são apenas um modo de fazer este tipo de trabalho. “Outras instituições têm modos diferentes de intervir, nem melhores nem piores, apenas diferentes”, disse Desiree.

Desiree também afirmou que o grande desafio da equipe é tentar quebrar o muro de silêncio que se forma na família e que permite o acesso do agressor à vítima. “Na denúncia, esse muro é quebrado e esse acesso interrompido. Então o agressor tenta desqualificar a fala da criança. O problema é que quando nós damos crédito à fala dessa criança e ele é ameaçado, a primeira coisa que o agressor faz é tentar desacreditar o profissional que apóia a criança. Se ele conseguir comprometer o trabalho feito por este profissional, ele está livre. Então surgem os inúmeros processos, processos éticos e outros”. Desiree afirmou que, hoje, muitas vezes psicólogos temem “tomar o partido” da criança por medo de processos éticos e pediu o apoio do CRP-RJ para que estes processos sejam resolvidos o mais rápido possível.

O conselheiro-presidente do CRP-RJ, José Novaes, elogiou a apresentação do projeto, se dizendo especialmente feliz com a afirmação de Desiree sobre não existir uma única metodologia para atender crianças vítimas de maus tratos. “É importante que não se pense que o Conselho que deve indicar qual a melhor forma de fazer esse tipo de atendimento. Existem muitas metodologias e conceitos sobre esse assunto”.

O conselheiro-presidente da Comissão de Orientação e Fiscalização, José Henrique Lobato, deu informações aos psicólogos presentes sobre como fazer o cadastro e o registro de instituições no CRP-RJ.

A conselheira-presidente da Comissão de Orientação e Ética, Ana Lucia de Lemos Furtado, explicou que o CRP-RJ já havia proposto mudanças no Código de Processamento Disciplinar na última reunião nacional de Conselhos Regionais de Psicologia, a Assembléia das Políticas Administrativas e Financeiras (APAF), realizada em maio, em Brasília, e que também outras propostas de outros regionais serão discutidas visando reformular o CPD.

O próximo programa a se apresentar será a unidade Niterói do Programa Sentinela, do Governo Federal. Na próxima reunião será também elaborado um calendário de reuniões para o ano de 2006. O próximo evento acontecerá no dia 23 de agosto, às 10 horas, também na sede do CRP-RJ.

CRP-RJ realiza segunda reunião com psicólogos do Programa de Atenção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Maus-Tratos

O CRP-RJ promoveu, no dia 19 de julho, a segunda reunião em sua sede com psicólogos de instituições ligadas aos Programas de Atenção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Maus-Tratos.
Estiveram presentes o conselheiro-presidente do CRP-RJ, José Novaes, a conselheira-presidente da Comissão de Orientação e Ética, Ana Lucia de Lemos Furtado, o conselheiro-presidente da Comissão de Orientação e Fiscalização, José Henrique Lobato, a assistente técnica da Comissão de Orientação e Fiscalização, Anne Meller, a assistente técnica da Comissão de Orientação e Ética, Zarlete Faria, e a auxiliar administrativo da Comissão de Orientação e Ética, Juliana Drummond. Também participaram da reunião representantes do Programa de Atenção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Maus Tratos e do Núcleo de Atenção às Crianças e Adolescentes Vítimas de Maus Tratos da Fundação para Infância e Adolescência (FIA), do Hospital Geral de Bonsucesso, da unidade Niterói do programa Sentinela do Governo Federal, da Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente Vítima de Violência (DeCAV) e do Conselho Tutelar do Rio de Janeiro.

Ao início do evento, foi o lido o relatório da primeira reunião, realizada no dia 21 de junho, e foram feitas observações sobre as afirmações do documento que apresentavam imprecisão. Como havia sido acertado na última reunião, após a leitura, iniciou-se a apresentação dos programas dos quais os psicólogos fazem parte.

O primeiro a se apresentar foi o Programa de Atenção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Maus Tratos da FIA. Representado pelos psicólogos Desiree Machado Teixeira e Angelo de Oliveira Denis, o programa foi implantado em janeiro de 2001 e conta com quatro núcleos, localizados no Rio de Janeiro, São Gonçalo, Volta Redonda e Friburgo. Concebido para atender 720 crianças por mês, Desiree explicou que hoje o programa recebe mais denúncias do que pode dar conta e por isso tem que reencaminhar diversos pedidos a outras instituições. “Consideramos que a criança está em situação de risco e deve ser atendida emergencialmente, por isso, não podemos criar filas de espera.” Ela também disse que esse problema pode aumentar por causa do fechamento de dois núcleos, em Caxias e Nova Iguaçu, em junho de 2006, devido a um corte de 25% nas verbas do projeto feito pelo Governo Estadual.

Segundo Desiree, o programa atua a partir de solicitações feitas pelo Conselho Tutelar, Ministério Público e Poder Judiciário, sempre com o objetivo de garantir a defesa e garantia dos direitos das crianças e adolescentes. Desiree explicou que o objetivo do programa não é o tratamento terapêutico. “O que fazemos é, durante o processo de investigação do caso, passar orientações e informações de modo a construir uma reflexão crítica na família. Notamos sempre mudanças na dinâmica da família a partir disso”, disse ela.

Ela também explicou que a intervenção é planejada coletivamente em uma equipe formada por psicólogos, advogados e assistentes sociais. Mostrando os conceitos teóricos escolhidos pela instituição para as intervenções, ela salientou que estes são apenas um modo de fazer este tipo de trabalho. “Outras instituições têm modos diferentes de intervir, nem melhores nem piores, apenas diferentes”, disse Desiree.

Desiree também afirmou que o grande desafio da equipe é tentar quebrar o muro de silêncio que se forma na família e que permite o acesso do agressor à vítima. “Na denúncia, esse muro é quebrado e esse acesso interrompido. Então o agressor tenta desqualificar a fala da criança. O problema é que quando nós damos crédito à fala dessa criança e ele é ameaçado, a primeira coisa que o agressor faz é tentar desacreditar o profissional que apóia a criança. Se ele conseguir comprometer o trabalho feito por este profissional, ele está livre. Então surgem os inúmeros processos, processos éticos e outros”. Desiree afirmou que, hoje, muitas vezes psicólogos temem “tomar o partido” da criança por medo de processos éticos e pediu o apoio do CRP-RJ para que estes processos sejam resolvidos o mais rápido possível.

O conselheiro-presidente do CRP-RJ, José Novaes, elogiou a apresentação do projeto, se dizendo especialmente feliz com a afirmação de Desiree sobre não existir uma única metodologia para atender crianças vítimas de maus tratos. “É importante que não se pense que o Conselho que deve indicar qual a melhor forma de fazer esse tipo de atendimento. Existem muitas metodologias e conceitos sobre esse assunto”.

O conselheiro-presidente da Comissão de Orientação e Fiscalização, José Henrique Lobato, deu informações aos psicólogos presentes sobre como fazer o cadastro e o registro de instituições no CRP-RJ.

A conselheira-presidente da Comissão de Orientação e Ética, Ana Lucia de Lemos Furtado, explicou que o CRP-RJ já havia proposto mudanças no Código de Processamento Disciplinar na última reunião nacional de Conselhos Regionais de Psicologia, a Assembléia das Políticas Administrativas e Financeiras (APAF), realizada em maio, em Brasília, e que também outras propostas de outros regionais serão discutidas visando reformular o CPD.

O próximo programa a se apresentar será a unidade Niterói do Programa Sentinela, do Governo Federal. Na próxima reunião será também elaborado um calendário de reuniões para o ano de 2006. O próximo evento acontecerá no dia 23 de agosto, às 10 horas, também na sede do CRP-RJ.