Comissão de Ética realiza Quart’ética sobre Psicologia e RH

Categoria(s):  ÉTICA, Notícias   Postado em: 18/06/2009 às 16:47

Foi com a finalidade de estender a discussão ética a outros territórios da Psicologia que nem sempre são contemplados nos fóruns de debate, que a Comissão de Ética do CRP-RJ promoveu o evento sobre Psicologia e RH, avaliou a conselheira Lygia Aires, presidente da COE, na segunda Quart’ética do ano, no dia 17 de junho, e que contou com a presença expressiva de estudantes e profissionais da área.

Foto da mesa de palestrantes.

Foto do público do evento.

Comissão de Ética realiza Quart’ética sobre Psicologia e RH com a finalidade de estender a discussão ética a outros territórios da Psicologia que nem sempre são contemplados nos fóruns de debate.

Foram convidadas as psicólogas Carla de Azeredo Coutinho Rocha (CRP 05/16570), que atua como generalista em todos os subsistemas de Recursos Humanos, e Heloisa Helena Ferraz Ayres (CRP 05/4822), professora do Instituto de Psicologia da UERJ e consultora na área das organizações em projetos de análise-intervenção de grupos, em processos de mudanças e desenvolvimento organizacional.

Carla elencou situações que o psicólogo de RH vivencia no seu cotidiano de trabalho e problematizando a postura desse profissional frente a conjunturas embaraçosas, como a entrevista de demissão. Como exemplificou, o processo de seleção é “muito subjetivo porque é difícil combinar o perfil desejado pela empresa e as qualidades apresentadas pelo candidato”.

Um psicólogo presente aproveitou a ocasião para perguntar quais os parâmetros devem guiar a atuação do psicólogo em RH, lembrando que, em muitos casos, os pareceres elaborados pelos psicólogos da área no momento da admissão do funcionário podem ser mais tarde utilizados pela organização para abrir um processo judicial. Em sua opinião, a dificuldade desse profissional é conseguir articular os parâmetros subjetivos a que Carla se referia a parâmetros objetivos, que “devem nortear nosso trabalho como recrutador”.

Heloisa afirmou que ter adorado o convite para palestrar e definiu o encontro como “um momento especial de reflexão do cotidiano desse profissional de RH”. Ela também mostrou o Código de Ética do psicólogo  e o classificou de “um acordo explícito de um corpo social que não pode engessar”, dizendo que recorre a ele sempre que se vê frente a “situações críticas”.

Sobre a atuação do psicólogo em RH, ela afirmou que “esse é um campo de tensão, de conflitos permanentes porque estamos falando de pessoas e porque se trata de uma construção coletiva”.

Citando exemplos históricos, a psicóloga explicou que a Revolução Industrial do século XX trouxe um novo modelo de gestão e de organização empresarial, no qual o foco passou a ser as pessoas, antes vistas somente pela sua capacidade de produção. “Estamos em um momento de transição e construção do pensar as organizações. Nesse sentido, a Ética tem um valor importantíssimo”, afirmou.

Heloisa criticou, ainda, a especialização dos profissionais psi. Ironizando o título de “analista de RH” – atribuído aos psicólogos da área – ela considerou que a atuação psi deve se voltar para “a promoção do desenvolvimento da organização e, principalmente, do ser humano na medida”.

De acordo com ela, “precisamos ter clareza sobre nosso papel em uma equipe que deve ser multidisciplinar; quando estamos em uma organização, não deixamos de ser profissionais de Saúde, que não quer dizer, necessariamente, ausência da doença, mas presença de satisfação. O psicólogo está sendo muito mal utilizado nesses espaços”.

Na avaliação de Lygia, RH é um campo de trabalho que não deve ficar à margem dos debates em torno da ética psi. Conforme sublinhou, “o Código de Ética atual (de 2005) o terceiro dos psicólogos, mas o primeiro a ser elaborado e pensado coletivamente, com os esforços de toda a categoria”.

Segundo Heloisa, o Código “traz reflexões ao psicólogo e serve de ajuda a situações adversas e complexas que ele precisará enfrentar no campo de atuação”. Na opinião da psicóloga, falta espaço para o psicólogo “encontrar seu espaço dentro das organizações sem abrir mão de ser psicólogo para além de especialismos”.

Para Carla, o que falta às organizações em geral é “investir mais em maturidade”. Já para uma participante, o ideal é incrementar os currículos de formação, que, segundo ela, “ainda são muito voltados à área clínica e não contemplam disciplinas que deem um olhar ético crítico aos estudantes”.

Texto e fotos: Felipe Simões

18 de junho de 2009