Comissão de Estudantes promove seu primeiro fórum de debates sobre formação e ética

Categoria(s):  ESTUDANTES, ÉTICA   Postado em: 22/09/2009 às 11:31

1-comissao-de-estudantes-promove-forum-sobre-formacao-e-etica01Pondo em análise os atravessamentos éticos nas práticas dos psicólogos, bem como em sua a formação, ocorreu o Fórum de Debates da Comissão de Estudantes. O evento, que teve como tema Formação, Ética e Psicoterapia, foi realizado no dia 16 de setembro de 2009 na sede do CRP-RJ.

O colaborador da Comissão de Orientação e Ética (COE) Marco Aurélio de Rezende (CRP 05/) abriu a mesa de debates falando sobre as atribuições da comissão e da importância de se “realizar um trabalho de orientação à categoria que caminhe junto à formação”.

Marco Aurélio também apontou falhas na formação em Psicologia.“Vivemos um período na Psicologia em que somos chamados a produzir documentos e a formação não estaria dando a devida atenção à forma como se traduzem nos documentos as conclusões e análises decorrentes de atendimento e avaliação psicológica, assim como às implicações deste trabalho”.

Carolina Moreira Ribeiro, Marco Aurélio de Rezende, Carlos Eduardo Nórte e Maria Helena Zamora, da esquerda para direita, analisaram os atravessamentos éticos nas práticas dos psicólogos, bem como em sua formação.

Carolina Moreira Ribeiro, Marco Aurélio de Rezende, Carlos Eduardo Nórte e Maria Helena Zamora, da esquerda para direita, analisaram os atravessamentos éticos nas práticas dos psicólogos, bem como em sua formação.

Segundo o colaborador da COE, um agravante para tal situação é o fato de muitos não investirem na formação continuada. “Nossa prática em Psicologia ainda é majoritariamente clínica. Então, muitos psicólogos se isolam na clínica e não discutem as práticas”, afirmou.

A estudante da UFRJ Carolina Moreira Ribeiro, por sua vez, afirmou que “o descaso com o Código de Ética e o grande desconhecimento com relação às resoluções do Conselho Federal de Psicologia” aparecem durante o período de formação, o que é acentuado pela questão da ética não atravessar as temáticas pertencentes aos demais períodos da formação. Assim, “a ética emerge capturada em uma disciplina presa em uma grade curricular que contempla majoritariamente o Código de Ética nos últimos períodos, o que implica em uma negligência sobre o campo da produção de subjetividade que transcende o campo legal e o aparato técnico burocrático”.

Carolina teceu críticas ao fato de a Ética aparecer como uma disciplina somente no final da graduação e sustentou a necessidade de o CRP-RJ mudar sua imagem junto aos estudantes e profissionais. “O CRP-RJ sempre aparece como um lugar de sanção, nunca de acolhimento. O Conselho deve ser um espaço de conversa, não só de punição, porque, senão, entramos no campo do burocrático”.

A psicóloga Maria Helena Zamora, professora da PUC-Rio e colaboradora da Comissão de Estudantes, afirmou que os estudantes são “os protagonistas de sua própria formação”, mas lembrou também que “eles têm muitos interesses que muitas vezes não são contemplados na grade curricular das universidades”.

A professora saudou a iniciativa do CRP-RJ em promover um evento voltado aos estudantes de Psicologia. “Esse evento é uma forma de dizer que o CRP-RJ está realmente aberto às questões de quem se interessa pela Psicologia. A Comissão de Estudantes é uma comissão importante e deve ser apoiada”, disse. Ela acrescentou ainda que “a formação em Psicologia se pauta no ideário do individualismo”.

Por fim, a professora declarou que ainda há falta de apoio as iniciativas de expansão do atendimento psicológico em outras áreas fora do setting terapêutico convencional. “Ainda há preconceito dentro da Psicologia, que infelizmente ainda opera num modelo clinicocêntrico, que, na verdade, atrapalha a atuação psi”.

Na avaliação de Carlos Eduardo Nórte, estudante da UFRJ, colaborador da Comissão de Estudantes e mediador da mesa, “é preciso pensar em uma formação ampliada, lutar não apenas por uma formação conteudística, mas uma formação que dê conta de pensarmos criticamente a prática e que não seja restrita a sala de aula”. Como membro da Comissão Organizadora do Ano da Psicoterapia do CRP-RJ, o estudante lembrou das discussões realizadas nos eventos preparatórios no estado, nos quais foram problematizadas a formação do psicólogo e a ênfase da clínica tradicional.

Os ouvintes foram convidados a participarem do debate sobre a questão da ética na formação.

Os ouvintes foram convidados a participarem do debate sobre a questão da ética na formação.

O estudante também destacou que as universidades são territórios que produzem subjetividades e moldam sujeitos, e uma formação que não potencializa capacidade crítica e reflexiva pode ter como efeito profissionais descomprometidos com a sua realidade social.

Ao convidar os ouvintes a participarem do debate, Carlos Eduardo recolocou a questão da ética na formação: “como podemos ser estudantes éticos? Se entendermos a ética como uma forma de se relacionar com o mundo e consigo mesmo, um estudante ético deve ser aquele que se coloca como protagonista de sua formação, de modo que esteja sempre a questionar, problematizar e inventar, que seja criativo e transformador, tendo dessa maneira, uma formação que vá além de um simples consumo de informações”.