Campanha “Todo racismo é uma forma de violência: Basta!” é tema de debate em Nova Iguaçu

Categoria(s):  BAIXADA, Notícias, RELAÇÕES RACIAIS   Postado em: 05/08/2019 às 16:52

IMG_7833A Comissão Gestora da Subsede Baixada, em parceria com o Eixo de Relações Raciais da Comissão de Direitos Humanos do CRP-RJ, promoveu, no dia 24 de julho, no auditório da Subsede de Nova Iguaçu, um evento para debater a campanha “Todo racismo é uma forma de violência: Basta!”.

O evento, que fez parte da agenda do CRP-RJ em comemoração ao Dia da (o) Psicóloga (o), teve a sua abertura com as representantes do Eixo de Relações Raciais da Comissão de Direitos Humanos do CRP-RJ, que exaltaram a relevância da campanha, lançada no ano passado pelo Conselho Federal de Psicologia.

Em seguida, foi aberta a mesa de debates, mediada por Jacqueline dos Santos Soares (CRP 05/41408), psicóloga clínica e colaboradora do CRP-RJ na Subsede Baixada e no Eixo de Relações Raciais. Compuseram a mesa os integrantes do Coletivo de Psicólogos Pretos da Baixada Geilson Simões da Silva (CRP 05/56003), psicólogo clínico do Núcleo de Apoio à Saúde da Família de Nova Iguaçu e psicólogo do pré-vestibular social e comunitário (Mafalda e Emancipa), e Manoel da Silva Leôncio (CRP 05/55716), psicólogo e consultor organizacional.

Geilson Simões abriu o debate abordando a temática do racismo segundo os diversos tipos de conhecimento, tais como o senso comum, o senso filosófico, o senso religioso, o senso artístico e o senso científico, e “buscando demostrar o quanto o conhecimento humano é baseado num conhecimento racista brutal”.

IMG_7831Segundo ele, “para o senso comum, por exemplo, falar de racismo é sinal de ‘mimimi’. Para o senso religioso, as religiões de matrizes africanas são vistas como formas de idolatria ao ‘espirito ruim’. Já no campo científico, vemos a dificuldade de encontrar negros atuando nessa área. No senso artístico, há a criminalização da capoeira, do samba e dos funks cariocas, uma prova de que toda a produção cultural negra é marginalizada”.

Manoel Leôncio, por sua vez, destacou que “o que demarca as relações sociais no Brasil é a escravidão”. Conforme lembrou, “somos um país que, desde a invasão europeia até os dias atuais, é gerido por uma classe dominante interessada nos recursos naturais e na exploração de terra. No Brasil, nunca houve interesse no desenvolvimento humano”.

“Eu, como psicólogo e militante em relações raciais, sempre acho mais interessante elucidar as estratégias e medidas de combate ao racismo à luz da percepção simbólica e ideológica. Somente com um olhar sensível, poderemos ter resultados expressivos diante o racismo estrutural. Nosso desafio, hoje, é entender que a nossa luta no combate ao racismo é diária e muito complexa, já que a dificuldade de acesso à oportunidade e a exclusão também são formas de violências”, defendeu o psicólogo.

SOBRE A CAMPANHA

Lançada em novembro de 2018 pelo Conselho Federal de Psicologia, a campanha “Todo o racismo é uma forma de violência: Basta!” tem como objetivos fortalecer a luta contra toda a forma de racismo, preconceito e violência racial e evidenciar a Resolução 018/2002, que veda à (ao) psicóloga (o) práticas de segregação e discriminação racial.

O lançamento estadual da campanha foi feito em um evento promovido em março deste ano na antiga sede do CRP-RJ, na Tijuca. Clique aqui e veja como foi.