A importância dos camponeses e da reforma agrária para o bem estar e alimentação da nação

Categoria(s):  DIREITOS HUMANOS, NOTAS, Notícias   Postado em: 17/04/2017 às 18:14
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

São 21 anos de impunidade desde o massacre de Eldorado dos Carajás, realizado no dia 17 de abril de 1996, no Pará. Vinte e um cidadãos sem terra foram mortos e dezenas feridos brutalmente pela força policial e os jagunços da região. Esta data ficou marcada na história brasileira e se tornou o Dia Internacional das Lutas Camponesas e pela Reforma Agrária. Desde a Colônia não cessa a opressão aos povos do campo e das florestas no Brasil. E pode ficar ainda pior com as iniciativas do governo.

É insustentável conservar essa violenta estrutura fundiária, que a cada dia concentra mais terras nas mãos de poucos. Não à toa tamanho o fortalecimento político da bancada ruralista nas últimas décadas, que através dos seus cargos garantem seus privilégios e devastam territórios de acordo com seus interesses particulares. Por conta desse modelo também temos um dos maiores movimentos sociais do mundo, o Movimento Social dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que traduz socialmente essa desigualdade. Não interessa ao sistema a divisão de terras, e os meios de comunicação são seus porta-vozes.

Apesar dos avanços com políticas públicas direcionadas para a agricultura familiar nos últimos anos, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), a força do agronegócio na ocupação de terras continua avassaladora. O Brasil é o segundo maior produtor de soja do mundo, cuja cultura ocupou nos últimos anos territórios equivalentes a Bélgica, Suíça e Dinamarca juntas. Permanece a concentração econômica e política nas mãos de poucos, em detrimento de uma maioria histórica de pequenos agricultores. A força da bala e do dinheiro na condução dos interesses das grandes empresas do campo do agronegócio continua predatória e insiste em passar por cima dos interesses da população.

Embora em desvantagem histórica e estrutural, são os agricultores familiares os responsáveis por colocar 70% dos alimentos nas mesas dos brasileiros. A reforma agrária continua uma necessidade para toda a sociedade, como uma forma de beneficiar não só os camponeses mas também a população urbana ao diminuir o aglomeração nas cidades e garantir a alimentação de todos. Por uma reforma agrária com assessoria técnica e condições para produção, distribuição e comercialização dos alimentos dentro de um projeto nacional e sustentável de desenvolvimento.

Assista sobre o tema o documentário O veneno está na mesa, produzido por Silvio Tendler.

Leia também o livro com apoio dos Conselhos Regionais de Psicologia: Referências Técnicas para Atuação das (os) Psicólogas (os) em Questões Relativas a Terra

(*) Foto: Wilson Dias/Agência Brasil.