80 T I R O S

Categoria(s):  DIREITOS HUMANOS, NOTAS, Notícias, RELAÇÕES RACIAIS   Postado em: 12/04/2019 às 10:30

CRP-RJ apoia e divulga manifesto da Articulação Nacional de Psicólogas(os) Negras(os) e Pesquisadoras(es) – Núcleo Rio de Janeiro.

Engano? Nããão!

Foi RACISMO, sim! Tem sido assim ao longo da história do nosso país! Têm sido assim o desinteresse e o descaso com a população pobre e preta, empurrada cada vez mais para as periferias de nossas cidades para atender aos interesses dos que definiram como prioritário manter a estrutura perversa da escravidão. Se antes da abolição o preto já não tinha espaço na sociedade que o considerava apenas como braço apto para os trabalhos mais pesados e ofícios menos dignificantes, após abolição foi colocado como empecilho ao chamado progresso. Para os que sempre detiveram o poder, inclusive sobre a vida, o preto tinha que desaparecer, seja por fome, doenças ou por embranquecimento. O país tinha que aparecer “civilizado” aos olhos do mundo, e isto significava/significa ser branco, daí não ter havido políticas de inclusão, no período pós-abolição. O que houve foram políticas universalistas às quais uma parte considerável da população negra não tinha acesso. As ações afirmativas (cotas raciais) só são implementadas no início do século XXI pela pressão dos movimentos negros e são violentamente atacadas. Imagine preto ocupando posto chaves na política e na economia!

80_tirosPara a chamada elite, o preto só é bom se impulsiona seus negócios, trabalhando duro; pode até realizar tarefas ditas nobres, mas desde que fique nos bastidores. Essa é a estrutura perversa da escravidão que ainda vige e teima em colocar o preto nos piores lugares. A população preta é a que apresenta os piores índices do IDH. Daí a associação perigosa do preto com a pobreza e desta com o crime. Conclusão: 80 tiros numa família preta em Guadalupe! Não bastaram os 111 tiros nos jovens em Costa Barros! 110 mortos em Carandiru!! E as incontáveis chacinas no Rio e Grande Rio!

É o RACISMO, o desprezo pelas vidas negras que faz perpetuar a miséria, o desinteresse por políticas públicas para as populações periféricas, em especial a manutenção do aparato repressivo, letal e abusivo como prioridade para o chamado combate ao crime, cujo alvo são, sem sombra de dúvida, os pretos. Pode atirar! 80 tiros.

Não tenhamos dúvida, querem nos eliminar! Chegamos aonde eles nunca queriam que estivéssemos: domésticas com carteira assinada e pretos nas universidades, ocupando lugares antes ocupados quase que exclusivamente por brancos. Não há como não associar o ataque às políticas de inclusão, o encarceramento em massa e a eliminação sumaria, pura e simples. Esse é o recado deles!

Mas aqui está nosso recado: NÃO retornaremos à senzala!

PAREM DE NOS MATAR: VIDAS NEGRAS IMPORTAM!

ARTICULAÇÃO NACIONAL DE PSICÓLOGAS(OS) NEGRAS(OS) E PESQUISADORAS(ES) (ANPSINEP) – NÚCLEO RIO DE JANEIRO