56º CinePsi da Baixada celebra o Dia do Orgulho LGBTI

Categoria(s):  BAIXADA, IDENTIDADE TRANS, Notícias   Postado em: 09/07/2019 às 15:02

baixada 2No dia 28 de junho – data lembrada pela resistência ocorrida em Stonwall Inn, em Nova Iorque – quando é celebrado o Dia do Orgulho LGBTI, a Comissão Gestora do CRP-RJ na Baixada Fluminense promoveu, na Subsede em Nova Iguaçu, o 56º Cinepsi com a temática “(R)Existências Transviadas na Clínica Política”.

O CinePsi foi aberto com a exibição do programa “Cidadania”, da TV Senado, que teve como tema de debate, a “Reorientação Sexual, uma proposta de tratamento que gera debates e ações na Justiça”. Programa disponível no site da TV Senado clicando aqui.

Para além da celebração, o objetivo do evento foi de lembrar a luta diária contra o preconceito e a violência sofrida pela população LGBTI. O Grupo Teatral “Os Amoladores de Facas”, passou a mensagem e emocionou aos presentes através da apresentação,Peça-resistência, dispositivo, máquina de guerra no enfrentamento à violência LGBT e os microfascismos do cotidiano”.

“A arte é resistência por si só. Nesse momento, essa arte com essa temática torna o nosso trabalho aqui de uma importância ainda maior. Fizemos essa peça como uma máquina de guerra mesmo, um enfrentamento às opressões”, declarou Paula Smith (CRP 05/34667), psicóloga e integrante do grupo, que compôs também a mesa de debates, aberta logo após a apresentação teatral.

Especialista em Psicologia Jurídica, atuante com psicodrama clínico institucional, colaboradora do Eixo de Diversidade Sexual e de Gêneros da Comissão Regional de Direitos Humanos do CRP-RJ e diretora suplente do Sindicato das Psicólogas, Paula Smith contou sua trajetória, como psicóloga, na luta pelos direitos LGBTI.

BAIXADA 3“Minha primeira experiência profissional aconteceu numa época em que a psicologia não falava muito sobre isso. Tínhamos como meta levantar justamente os dados políticos para que o governo pudesse implantar políticas públicas. Era o maior desafio, pois não tínhamos ainda essas conquistas que nos fazem comentar políticas, reivindicar direitos. Hoje temos, além da Resolução CFP 001/99, a resolução do nome social, a questão trans. Temos muitas vitórias para serem celebradas”, destacou.

A psicóloga manifestou apoio à Resolução 001/99 e lembrou: “Quando o primeiro psiquiatra deu o primeiro enunciado sobre nós, foi para realmente afirmar a existência de um sujeito doente, passível de tratamento. Hoje, séculos depois, estamos aqui dizendo que [a diversidade sexual e de gêneros] não é doença e, portanto, não é passível de tratamento. Se alguém propuser, em nome da Psicologia, um tratamento, está passível de sofrer sanção ética porque está cometendo uma falta ética gravíssima”.

Completando a mesa, Tiago dos Santos (CRP 05/47737), gestalt-terapeuta, especializando em Hipnose Clínica, militante em HIV/AIDS e colaborador do Eixo de Diversidade Sexual e de Gêneros da Comissão Regional de Direitos Humanos do CRP-RJ, comentou sobre um trecho da entrevista exibida, a respeito ao uso abundante do termo “crime passional” para designar os crimes sofridos por pessoas LGBTI.

“Muitas vezes, quando um LGBTI morre, é anunciado na mídia que se acredita ter sido um crime passional, isto é, a pessoa foi morta por alguém com quem estava se relacionando. Isso acontece muito? Não sei. Agora, afirmar que todos são? Não. É preciso destacar que a própria estrutura social LGBTfóbica transtorna as relações afetivas LGBT, relegando a LGBTs uma sexualidade vulnerabilizada. E que as ‘não aceitações’, de si ou do outro, muitas vezes (ou sempre) estão por detrás dos atos de violência”, afirmou.