4º encontro sobre o trabalho da Psicologia na Socioeducação acontece em Campos

Categoria(s):  Notícias, SOCIOEDUCATIVO, SUBSEDE CAMPOS   Postado em: 26/06/2018 às 10:44
IMG_0058

Marco Aurélio e Evelyn na abertura do evento

Campos dos Goytacazes foi o palco do 4º encontro do ciclo de debates regionais sobre o trabalho da Psicologia na Socioeducação. O evento aconteceu no dia 21 de junho, na Universidade Estácio de Sá, e reuniu psicólogas (os) da Socioeducação de diversos municípios do Norte-Noroeste Fluminense, além de estudantes e assistentes sociais.

Uma iniciativa conjunta do CRP-RJ e do DEGASE, esse ciclo de debates já percorreu a Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, na Baixada, e Mangaratiba, na Costa Verde, com o objetivo de mobilizar as (os) psicólogas (os) que atuam no campo socioeducativo para discutir propostas de diretrizes éticas e técnicas para o trabalho na área.

A conselheira-coordenadora da Comissão Gestora do CRP-RJ no Norte-Noroeste Fluminense, Evelyn Rebouças Gouvêa (CRP 05/41205), deu início destacando que o encontro segue o mesmo formato das conferências de políticas públicas, onde “nós, os profissionais, debatemos e elaboramos propostas e lutamos por mudanças efetivas nessa política”. “Esse é mais um momento para construirmos algo juntos democraticamente pelo fortalecimento da Psicologia”, afirmou a conselheira.

IMG_0066

Patrícia Durans problematizou a Socioeducação

Marco Aurélio de Rezende (CRP 05/27536), psicólogo que atua no DEGASE e colaborador do Eixo de Socioeducação da Comissão Regional de Direitos Humanos do CRP-RJ, explicou que “o DEGASE está em parceria com o CRP-RJ nesse processo de pensar o trabalho na Socioeducação pela perspectiva da Psicologia, pois é importante pensar essa atuação a partir dos profissionais que estão na ponta”. Conforme esclareceu, todo o trabalho desenvolvido nos encontros regionais culminará na I Conferência sobre o Trabalho da Psicologia na Socioeducação, que acontecerá no dia 16 de agosto no Rio de Janeiro.

Debate

A seguir, a psicóloga Patrícia Henrique de Souza Durans (CRP 05/51847), supervisora clínico-institucional da Saúde Mental no eixo Infância e Juventude, fez uma breve fala problematizando o cenário macro e micropolítico onde está inserida a atuação da (o) psicóloga (o) na Socioeducação.

“Inicialmente, é importante pensar quem a Justiça está entendendo que deve ser encarcerado. Acho que precisamos estar atentos a isso pois, para pensarmos o papel do psicólogo nessa política, precisamos começar refletindo sobre essa macropolítica que tem encarcerado pessoas de um perfil muito semelhante relacionado a determinada raça e classe social”, analisou.

“Não é à toa que, em 16 anos, tenhamos um aumento de quase 700% no encarceramento feminino. Também não é à toa que estamos tendo um aumento do encarceramento da infância e juventude. Segundo dados de 2016, a população encarcerada na Socioeducação estava em torno de 200 mil adolescentes cumprindo algum tipo de medida socioeducativa no Brasil”, revelou a psicóloga (veja aqui dados de 2016 referentes à Socioeducação).

Patrícia também apontou a dificuldade em pensar uma prática profissional voltada à defesa dos Direitos Humanos na Socioeducação, uma política, segundo ela, ainda de caráter carcerário e prisional. “Como falar em Direitos Humanos para uma população que teve direitos básicos violados muito antes de ingressar no sistema socioeducativo, pois, na muitas vezes, quem está no DEGASE são adolescentes que não tiveram acesso à saúde, à educação, ao esporte, ao lazer, ao trabalho”, questionou.

Ela destacou também que o trabalho da (o) psicóloga (o) envolve questões relacionadas ao preconceito, à vulnerabilidade, à pobreza, ao sofrimento psíquico e afirmou que “o maior desafio do psicólogo talvez seja pensar a Socioeducação como Socioeducação de fato, pois o que temos hoje é um espaço de violência e violação que pouco tem de educativo”.

Propostas

Após a mesa de abertura, as (os) participantes dividiram-se em três grupos de trabalho para debater e votar propostas, conforme os eixos temáticos: Eixo I – Papel das (os) psicólogas (os) no Sistema Socioeducativo, Eixo II – Produção de documentos e Eixo III – Direitos Humanos/Temas transversais.

Ao todo, foram produzidas sete propostas, três do Eixo I, três do Eixo II e uma do Eixo III.

Todas as propostas aprovadas nesse e nos demais encontros regionais serão sistematizadas e encaminhadas para votação na I Conferência. As propostas aprovadas nesse encontro final servirão como material de referência para a produção de diretrizes para o exercício profissional da (o) psicóloga (o) na Socioeducação no Rio de Janeiro.

IMG_0099

Grupos de trabalho debatendo propostas