41ª Edição do “Rodas e Encontros” debate “HIV/ISTs/AIDS” na Baixada

Categoria(s):  BAIXADA, Notícias   Postado em: 20/12/2019 às 13:12

IMG-20191209-WA0025A Subsede do CRP-RJ na Baixada, localizada em Nova Iguaçu, promoveu, no dia 4 de dezembro, a 41ª edição do “Rodas e Encontros”, que teve como tema “Direitos Humanos no campo HIV/ISTs/AIDS” e reuniu psicólogas (os), esutudantes e representantes de coletivos que apoiam a luta de prevenção e tratamento ao HIV/ISTs/AIDS.

Jaqueline dos Santos Soares, representante do Coletivo Conceição Chagas, Maíra Amaral de Andrade, representante do Coletivo DHiVerSuS), e Vanda Vasconcelos Moreira, do Fórum Grita Baixada, apresentaram seus respectivos coletivos e destacaram a importância da parceria com o CRP-RJ para a luta em favor da prevenção e tratamento ao HIV/ISTs/AIDS.

Em seguida, teve início o debate, mediado por Tiago dos Santos (CRP 05/47737), psicólogo, gestalt-terapeuta, colaborador do CRP-RJ, militante em HIV/AIDS, idealizador e integrante do Coletivo DhiVerSuS.

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Marcelo Abreu (ao microfone) e Dario Córdova

Marcelo Jacinto de Abreu (CRP 05/55934), psicólogo clínico, terapeuta cognitivo-comportamental, pós-graduando em Psicologia Hospitalar e da Saúde, TCC e Neuropsicologia, apresentou o seu trabalho acadêmico sobre o uso de tecnologias digitais no suporte social e informativo a pessoas vivendo com HIV/AIDS. Ele contou um pouco sobre a experiência em acompanhar um grupo de WhatsApp formado por homens soropositivos para o HIV.

“As pessoas tinham múltiplas possibilidades de trocas de informações e de suporte social. Destacam-se a luta pela garantia ao acesso aos medicamentos, as informações sobre as questões de intercorrencias sobre o adoecimento, a luta pelo direito ao tratamento digno, e o acesso aos exames de monitoramento necessários a manter a qualidade de vida. No grupo, sempre havia uma troca muito grande, então isso foi muito rico e era muito presente para o grupo”, destacou.

“Quero enfatizar que os desafios e as perspectivas dessas novas formas de organização trazem ao profissional da Psicologia a necessidade da inserção no contexto de sociabilidade virtual. O estudo comprovou, pela análise dos dados, a potência e a eficácia do uso de tecnologias digitais no suporte social e informativo a pessoas vivendo com HIV e AIDS, sua implicação na maior adesão ao tratamento e seus reflexos na qualidade de suas vidas”, afirmou Marcelo Abreu.

IMG-20191209-WA0013Dario Adolfo Córdova Posada (CRP 05/15372), psicólogo clínico, mestre em Psicossociologia de Comunidade e Ecologia Social, consultor na área de juventude para UNICEF na América Central e professor no Instituto Phillippe Pinel e na UCP/Petrópolis, lembrou o preconceito provocado, na década de 1980, pela falta de conhecimento e de informações sobre a AIDS.

“Imagina uma coisa: quando surgem os primeiros sintomas da AIDS – estamos falando em 1982, 1983 – ninguém sabia de nada a respeito. Quem iria diagnosticar algo de que ninguém tinha informação? As primeiras informações que chegaram a respeito no Brasil não tinham relação com a área da Psicologia. Depois, conforme se verificou que a maioria dos pacientes que apresentavam o HIV/AIDS eram gays, a doença começou a ser conhecida como ‘câncer gay’, favorecendo o preconceito e a discriminação em relação aos seus portadores”, afirmou o psicólogo.

Dario salientou também a importância do papel do profissional de Saúde Mental na época, quando os portadores do HIV/AIDS eram estigmatizados como “aidéticos” e considerados “pessoas já mortas”. “Se consideramos como se dá o desenvolvimento da nossa subjetividade, de como nos adaptamos ao meio, por aí podemos entender a noção de saúde. Nesse sentido, qual seria o papel de um profissional da saúde mental nesse momento em que a pessoa portadora do HIV/AIDS é estigmatizada? Nosso papel, naquela época, no suporte a essas pessoas que, além de estigmatizadas, estavam vulneráveis física, social e emocionalmente, era fundamental”, destacou o palestrante.