40º Cine Psi Baixada promove debate sobre a Psicologia no Esporte em Nova Iguaçu

Categoria(s):  BAIXADA, ESPORTES, Notícias   Postado em: 28/04/2014 às 16:32

Em sua 40ª edição, o Espaço Cine Psi levou às (aos) psicólogas (os) e estudantes da Baixada Fluminense, pela primeira vez, o debate a respeito da atuação da Psicologia no Esporte num momento crucial em que os megaeventos esportivos se aproximam, trazendo importantes discussões de ordem social, política, econômica e cultural para a sociedade brasileira.

Promovido mensalmente desde 2010 pela Comissão Gestora da Subsede na Baixada, o 40º Cine Psi aconteceu no dia 15 de abril, na subsede do CRP-RJ em Nova Iguaçu, com a presença de profissionais e estudantes de Psicologia e áreas afins.

O evento, coordenado por Viviane Siqueira Martins (CRP 05/32170), psicóloga, conselheira do CRP-RJ e membro da Comissão Gestora da Baixada, teve início com a exibição de um trecho de uma entrevista concedida pela psicóloga do Esporte Regina Brandão ao programa de Juca Kfuri, do canal ESPN, sobre atuação da (o) psicóloga (o) nessa área.

Em seguida, foi exibida também uma matéria veiculada pela Rede Globo sobre a prática do Esporte como alternativa para reduzir a violência entre internos e internas de duas unidades prisionais no Nordeste do país.

Para instigar o debate, foram convidados os psicólogos Rodrigo Acioli Moura (CRP 05/33761), psicólogo do Esporte e conselheiro-secretário do CRP-RJ, e Walter Andrade dos Santos (CRP 05/45592), atleta profissional de bodyboarding e psicólogo clínico que atua também na Educação e no Esporte.

Walter, que participa de um projeto social com moradores da Rocinha através do esporte, afirmou que “o trabalho na comunidade é desenvolvido no sentido de que o esporte não seja somente um mecanismo de reinserção social, pois o nosso foco é preventivo justamente para evitar que se chegue à necessidade de reintegrar o sujeito”.

Rodrigo acrescentou que “o maior problema é o olhar que a sociedade tem para o esporte, que deveria servir como uma ferramenta para o sujeito, e não o contrário: o sujeito servindo como uma ferramenta para o esporte”.

Outra importante questão abordada por Rodrigo diz respeito à inserção da Psicologia e de seus profissionais na área esportiva. “A Psicologia ‘do’ Esporte ou ‘no’ Esporte é uma grande discussão dos profissionais da área atualmente. Eu simpatizo mais o termo ‘Psicologia no Esporte’, pois evidencia a nossa inserção, como profissionais da Psicologia, no campo do Esporte. Agora, quando digo ‘Psicologia do Esporte’, posso dar a conotação de uma prática diferenciada da Psicologia, o que não é verdade. A Psicologia no Esporte é uma maneira de trabalharmos a Psicologia, com suas técnicas e teorias, dentro das potencialidades de um campo maior, que é o Esporte”.

“Quando atuamos nesse campo, percebemos que têm muitos pais que inserem a criança no Esporte por motivos de saúde mesmo, mas têm também muitos deles que colocam a criança ali porque veem nela uma potencialidade de ganhar dinheiro”, destacou Rodrigo. “Uma vez, atendi a uma adolescente que foi posta na terapia pelos pais para render mais no Esporte que praticava. Há muita expectativa e muita pressão por parte dos pais com relação aos seus filhos. ‘O que a pessoa espera do Esporte? ou ‘O que ela procura no Esporte?’ são perguntas importantes que temos de fazer aos atletas em nossos consultórios”.

De acordo com Walter, “muitos pais, de fato, colocam seus filhos no Esporte visando a uma futura fonte de renda para a família. Muitos pais pressionam para que seus filhos se profissionalizem no Esporte, pois atleta amador não pode ser remunerado. Isso é uma questão à qual temos de estar atentos”.

O psicólogo enfatizou também a importância de o Esporte ser tratado efetivamente como uma política de Saúde. “O governo do estado do Rio diz que Esporte é Saúde, mas, ao mesmo tempo, não se investe em infra-estrutura para os atletas amadores. Montam-se praças e academias ao ar livre, por exemplo, mas não há nutricionistas, psicólogos, professores de Educação Física, ou seja, não há uma equipe técnica de atuando ali para dar suporte à Saúde desse atleta”.

“É importante que o Esporte seja pensado, pelos gestores públicos, pela sociedade como um todo e também por nós, profissionais de Saúde, como uma ferramenta de desenvolvimento do ser: como uma ferramenta de desenvolvimento da sociabilidade, da disciplina, do comprometimento, etc”, finalizou Rodrigo.