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A vida e a obra de Estamira Gomes de Sousa, morta no último dia 28 de julho, foi o pontapé inicial para debate sobre a miséria e suas implicações no fazer da psicologia na 13ª edição do Espaço Cine Psi da Subsede Baixada Fluminense do Conselho Regional de Psicologia, no último dia 8 de setembro. A exibição do documentário que leva o nome da mulher que se tornou símbolo das lutas na saúde mental, mais uma vez, emocionou a todos os presentes.
O filme, de Marcos Prado, conta a vida da catadora de lixo que trabalhava no aterro sanitário de Jardim Gramacho, na Baixada. Usuária do sistema de saúde mental na época das filmagens, e dona de um discurso eloquente, Estamira discute durante o filme temas que vão desde a questão da produção de lixo à influência do capitalismo na vida das pessoas que vivem em situação de miséria.

Participantes acompanharam a exibição do documentário antes do debate
O filho de Estamira, Hernane, foi um dos participantes do debate. Além dele, foram debatedores os psicólogos Luiz Fernando de Souza (CRP 05/19241), do Centro de Atendimento Familiar de Nova Iguaçu (CAF) e Márcia Cristina Bezerra Tavares (CRP 05/17825), que atua no Centro de Atenção Psicossocial de Nova Iguaçu e no Morro do Alemão, dos membros da comissão gestora da subsede Celso Moraes Vergne (CRP 05/27753) e Denise dos Santos Malheiro (CRP 05/18051), que relacionaram questões do filme ao debate sobre avaliação psicológica.
Segundo Márcia, um dos pontos mais importantes foi a participação do filho de Hernane, que falou sobre as experiências relacionadas à doença da mãe. “O Hernane falou da dificuldade para a família de cuidar de uma pessoa com esse tipo de transtorno. Existe a questão da palavra, que sempre é interpretada de forma concreta, além da falta de suporte, ainda mais quando a pessoa em questão é a própria mãe”, explica. A psicóloga ainda destacou a dificuldade para o diagnóstico diferenciado da psicose, que muitas vezes pode ser confundida com outras doenças mentais.
A exibição do filme, que aborda a questão da injustiça social, foi comovente. Estamira é considerada um exemplo de perseverança. Segundo a psicóloga Vanda Vasconcelos Moreira (CRP 05/6065), que falou em nome da comissão gestora da subsede Baixada, houve intenso debate sobre o capitalismo como causa da situação de miséria retratada no filme. “Estamira aborda bastante a questão do comércio dos remédios, que na verdade é uma maneira de dopar essas pessoas em vez de realmente resolver o problema. Ela ainda propõe questões sobre a vida, contrapondo-se ao sistema cruel de forma a não se render ao poder do capital”.
A comissão gestora da subsede Baixada já prepara a realização da 14ª edição do Cine, marcada para o próximo dia 13 de outubro. O evento, desta vez, contará com a exibição do documentário “O Cárcere e a Rua”, de Liliana Sulzbach. O filme conta a história de três mulheres que se conheceram em uma penitenciária de Porto Alegre.
As exibições do Espaço Cine Psi acontecem sempre às segundas quintas-feiras de cada mês, às 17h30, no auditório da subsede, que fica na Rua Sebastião Herculano de Mattos, 41, centro de Nova Iguaçu (próxima ao antigo Fórum, à Cruz Vermelha e à estação Nova Iguaçu da Supervia). Outras informações por telefone (2768-0007) ou e-mail subsedeni@crprj.org.br.
04 de outubro de 2011