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Notícias 2010

Atuação psicólogo no campo é tema de três mesas em Seminário

A psicóloga e arteterapeuta Jacqueline Lopes (CRP 05/32918) foi uma das palestrantes do II Seminário da Rede de Cuidados da Região Serrana/Psicologia das Emergências e dos Desastres. Ela iniciou sua fala abordando a importância de seu trabalho de afetação do outro através da contação de histórias. “Eu tenho feito trabalhos a partir de oficinas de sensibilização através da contação de histórias. No entanto, provocar afetos não tem idade específica e meu trabalho não é só para crianças”. Em seguida, contou duas histórias para os presentes, demonstrando como se dá a sua atuação através da narração de histórias.

palestra de Eliana Torga
palestra de Eliana Torga

Palestra de Jacqueline Lopes Palestra de Jacqueline Lopes

palestra de Lúcia Ribas
palestra de Lúcia Ribas

Depois, Jacqueline compartilhou sua experiência como psicóloga que participou das equipes de atendimento às vítimas dos desabamentos recentes em Angra dos Reis e Ilha Grande. “Quando você chega ao local do desastre e se depara com tamanha dor das pessoas, você se pergunta o que fazer com a sua Psicologia e com o seu saber em um momento como este. Ao longo do meu trabalho de atendimento a essas vítimas, percebi que eu preciso estar com essa pessoa, acolhê-la e apoiá-la do jeito que ela está e do jeito que ela chega a nós”.

Ainda conforme relatou a arteterapeuta, “naquela situação, não cabia nenhuma técnica específica, e sim o acolhimento, a aceitação e o estar com essa pessoa, quer dizer, é preciso estar próximo ao outro, com a dor do outro. Nesse sentido, o acolhimento dos profissionais faz toda a diferença”.

Na mesa seguinte, O Papel do Psicólogo no Século XXI – Compromisso ético, político e social,Eliana Márcia Martins Fittipaldi Torga (CRP 04/6243), psicóloga com atuação voltada para a Psicologia das Emergências e dos Desastres, afirmou que o trabalho do psicólogo nas emergências e nos desastres é, também, uma atuação em defesa dos direitos humanos.

“A Psicologia tem um compromisso social desde que nasceu. Esse compromisso está no nosso olhar crítico, ético e político sobre o humano de forma geral e sobre o indivíduo que estamos atendendo, seja ele da camada social que for. O compromisso social dos psicólogos está na garantia dos direitos humanos, seja onde ele estiver: na clínica, no CRAS, no CPAS, no hospital ou nas situações de emergências e desastres”.

A psicóloga também criticou o fato de a Psicologia das Emergências e dos Desastres ser enquadrada como mais uma especialidade da Psicologia. “Quando falamos em especialista de emergência e desastre, reduzimos as possibilidades dessa atuação, o que não quer dizer que não precisemos de método e técnicas para atuar nesse campo”.

“Estamos vivendo a era do conhecimento, e há um imperativo nela: a transdisciplinaridade. Estamos o tempo inteiro em contato com outros saberes, especialmente quem lida com Psicologia das Emergências e dos Desastres, em que você atua junto a médicos, bombeiros, enfermeiros, assistentes sociais, policiais”, afirmou.

Eliana defendeu ainda maior inventividade para a atuação do psicólogo na área. “Precisamos investir em novas práticas, buscando, continuamente, inovar dentro dos métodos científicos de que dispomos. O cenário que encontramos nessa área é muito fértil em termos de possibilidades, mas estamos garimpando o nosso lugar nela ainda. Nosso desafio é participar das discussões para aprimorarmos e desenvolvermos o campo”, concluiu.

A seguir, Lúcia Ribas (CRP 03/3057), psicóloga que atuou durante um mês no atendimento aos sobreviventes do tsunami na Índia, em 2004, compartilhou com os presentes sua experiência no socorro a vítimas de catástrofes naturais, e a necessidade de atenção e o cuidado entre os participantes da equipe de ajuda. Conforme relatou, ela foi chamada para compor a equipe seis meses depois da ocorrência do tsunami para prestar atendimento psicológico a pessoas que ainda não haviam conseguido retomar suas vidas normais.

A psicóloga destacou ainda aspectos importantes com relação às condições de trabalho da equipe que presta esse atendimento em situações de emergências e desastres. “O que eu pude perceber no tempo em que estive na Índia foi a importância de um trabalho de cuidado entre a própria equipe. Nós todos estávamos em uma situação de estresse muito grande, por isso valorizávamos espaços para realizar reuniões diárias com toda a equipe para trocarmos as experiências do dia e descarregarmos esse estresse. Outra coisa fundamental é sempre sairmos em duplas, pois assim sempre tem alguém que sabe onde o outro está. Um ponto também absolutamente necessário é haver clareza na coordenação da equipe e eficiência na comunicação entre o grupo”.

Lúcia acentuou ainda como deve se estabelecer o contato entre a pessoa atendida e o profissional que a assiste. Segundo ela, o profissional precisa entrar na sintonia na frequência da pessoa acolhida, mas essa aproximação deve ser lenta, cuidadosa, já que as pessoas tendem a ter resistência a isso. A psicóloga também lembrou a importância do toque na pessoa assistida, pois ele, quando aceito, ajuda a dar o acolhimento necessário à vítima.  

“No geral, atender as vítimas do tsunami foi um trabalho que mudou a vida de todo mundo que esteve lá trabalhando, porque, além da questão do aumento da compaixão pelo próximo, isso mudou a referência de como você vai trabalhar com uma pessoa por pouco tempo”, afirmou Lúcia sobre como esta experiência alterou seu trabalho como psicóloga.

Texto e fotos: Felipe Simões

24 de agosto de 2010

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