Página Principal > Notícias > Notícias 2009 > CRP-RJ responde nota de repúdio de psicólogo
Em fevereiro de 2009, o CRP-RJ recebeu, por e-mail, uma nota de repúdio de um psicólogo, referente à divulgação, no site deste Conselho Regional, de uma carta dos profissionais de Saúde Mental do Rio de Janeiro, publicada em 30 de janeiro.
Reproduzimos abaixo a carta do psicólogo e a resposta da Diretoria-executiva do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro.
“Caros colegas,
Escrevo para expressar meu repúdio ao artigo veiculado por vocês, no qual para defender a pluralidade da pesquisa sobre autismo fazem afirmações infundadas e levianas à respeito da abordagem comportamental.
Que eu me lembre, o conselho serve para representar a todos e não apenas os psicanalistas, sendo assim, não se deve atacar uma abordagem teórica visando proteger outra, principalmente utilizando argumentos que mostram o total desconhecimento da abordagem.
Com essa atitude, o conselho mostra seu despreparo e sua “inutilidade pública”, pois (com ou sem intenção, não importa) deprecia a imagem de parte de seus associados (nesse caso os psicólogos de base comportamental).
Se a intenção era ter apoio, essa atitude só gera segregação entre os diferentes grupos teóricos.
Como representantes, sugiro que tomem mais cuidado antes de veicular absurdos como esse, senão para que precisamos de um conselho?
Segue abaixo o trecho que me baseio e justifica a presente nota.
‘Ora, todo profissional da área da Psicologia sabe que a psicoterapia comportamental é uma das modalidades de psicoterapia existentes, e de forma alguma a única nem garantidamente a mais indicada no tratamento do autismo. Existem muitas críticas feitas ao reducionismo comportamentalista desses métodos, que se limitam a adestrar as crianças através de técnicas impositivas e que não consideram a subjetividade nem o campo da significação de seus atos, treinando-as nas chamadas “AVDs” (atividades da vida diária) que, por mais importantes que sejam, não chegam a definir uma práxis humana, como observa Marx.’
Atenciosamente,
Nicodemos Batista Borges
Psicólogo – Analista do Comportamento
CRP: 06/70112”
Uma das finalidades do Sistema Conselhos de Psicologia é contribuir para o avanço da Psicologia enquanto ciência e profissão. É lógico que, para isto, é necessária uma discussão ampla entre as vertentes teóricas e as práticas psicológicas nelas fundamentadas, em que se apresentam os argumentos, confrontam-se os conceitos etc. É assim, através do debate democrático, que a ciência, os conhecimentos teóricos e práticas e técnicas são criadas, desenvolvem-se e se estabelecem para serem mais tarde substituídas, quando ultrapassadas.
Não foi o CRP-RJ que “atacou uma abordagem teórica para defender outra”: publicamos um trabalho de psicólogos (as) que trabalham em CAPs, em que as afirmações feitas suscitam a resposta e estimulam o debate. É neste debate que se poderia apresentar e argumentar o “total desconhecimento da abordagem”, ou que são feitas “afirmações infundadas ou levianas” sobre uma determinada visão teórica e suas práticas. Tampouco foi, portanto, o CRP-RJ que depreciou a “imagem de parte de seus associados”, se é que isso, de fato, tenha ocorrido.
Quanto ao despreparo e inutilidade pública do CRP-RJ, cremos já ter esclarecido com os comentários acima.
Diretoria-Executiva do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro
19 de março de 2009