Página Principal > Notícias > Notícias 2009 > CRP-RJ convida estudantes para debater movimentos sociais

A conselheira Ana Lucia Furtado abriu o primeiro evento Coletivizando Psicologia com a afirmação “todos somos eternos estudantes”.
“Todos somos eternos estudantes”. Com essa afirmação, a conselheira Ana Lucia Furtado (CRP 05/465), coordenadora do Grupo de Trabalho Coletivo de Estudantes do CRP-RJ, abriu o primeiro evento Coletivizando Psicologia, realizado em 23 de janeiro com o tema Psicologia e Movimentos Sociais. A atividade teve como objetivos discutir a implicação da Psicologia com as temáticas ligadas aos movimentos sociais e possibilitar referências no campo das demandas dos movimentos sociais.
O evento funcionou ainda como preparação para o Fórum Social Mundial, que ocorre de 27 de janeiro a 1º de fevereiro em Belém (PA). O CRP-RJ participa do Fórum com quatro oficinas, entre elas uma do Coletivo de Estudantes, que (clique aqui e veja as atividades do CRP-RJ no FSM).
Ana Lúcia ressaltou também que o trabalho com os estudantes faz parte do foco do CRP-RJ nos Direitos Humanos. “Nosso trabalho é pautado nos Direitos Humanos, não apenas como princípio, mas também como prática. Todas as nossas ações vão nessa direção”.
Após a abertura com a conselheira, deu-se início à mesa redonda, que contou com a participação do conselheiro Pedro Paulo Bicalho (CRP 05/26077), presidente da Comissão Regional de Direitos Humanos do CRP RJ; da jornalista Thaís Zimbawe, presidente do Fórum Estadual de Juventude Negra do Rio de Janeiro; e do estudante de Psicologia da UFF Gabriel Sertan. O aluno de Psicologia da UFRJ Richarlls Martins, secretário-geral da Coordenação Nacional de Estudantes de Psicologia e membro do Coletivo, coordenou o debate.

Thaís Zimbawe, Pedro Paulo Bicalho, Gabriel Sertan e Richarlls Martins formaram a mesa redonda do evento.
Pedro Paulo começou chamando a atenção para as mudanças que estão sendo propostas pelo Sistema Conselhos de Psicologia na Lei 5.766/71, que criou o CFP e os Conselhos Regionais. “Essa lei foi criada durante um Estado de exceção e criou os conselhos para fiscalizar, sem discutir o que isso significava. Hoje, vemos 'orientar' e 'fiscalizar' de forma diferente, atravessados pelos Direitos Humanos”.
Para o conselheiro, esse foco nos Direitos Humanos traz uma relação com os movimentos sociais. “Todas as ações do CRP-RJ são transversalizadas pela Comissão Regional de Direitos Humanos, que é formada por pessoas que vêm de movimentos sociais. Elas estão aqui exatamente para fazer com que o CRP-RJ tenha suas práticas e suas funções de orientar e fiscalizar atravessadas pelos movimentos sociais”. Ele ressaltou ainda que a Psicologia também se relaciona com esses movimentos na medida em que sempre produz política. “A política é feita de micropolíticas, de tudo o que vem da atividade humana”, concluiu.
Thaís, por sua vez, falou sobre o Fórum Estadual de Juventude Negra e como esse trabalho começou. “Percebemos que era preciso criar uma articulação nacional da juventude negra, para que esses jovens pudessem pensar sua inserção no mundo, sua conjuntura, além de uma agenda comum de trabalho. Não foi difícil achar esse ponto em comum, pois o grande desafio de todos era combater a violência, que hoje atinge muito os jovens, principalmente o jovem negro”, explicou.
Segundo a jornalista, o trabalho do Fórum se pautou, a partir daí, em combater o que ela chama de “extermínio da juventude negra”. “Esse extermínio não diz respeito somente à violência física. Também é violência quando esse jovem não consegue acesso à saúde, à educação, aos serviços públicos. O processo de articulação da juventude negra surge em meio a essas questões”. Ela destacou que esse trabalho ocorre em interação com outros movimentos - não apenas de juventude, mas também de mulheres, LGBT, estudantil etc. - e que, nesse contexto, o movimento estará presente no FSM.
Fechando a mesa, Gabriel traçou um breve histórico do movimento dos estudantes de Psicologia, destacando o encontro realizado em maio de 2008, que articulou esses estudantes e resultou em um trabalho premiado pelo CRP-RJ no Prêmio Monográfico Margarete Paiva. “O Diretório Acadêmico de Psicologia da UFF vem se articulando com outros diretórios e com movimentos estudantis. Vamos realizar outro encontro, em abril, que será em Vassouras, para mostrar que o estado não é só Rio e Niterói”.
Ele falou ainda sobre o FSM e a importância da participação dos estudantes nesse evento. “Estive no Fórum de 2005, o último realizado no Brasil. A troca em meio ao fervilhamento de questões e experiências é muito importante para nossa formação”, disse. De acordo com Gabriel, o GT ainda dá seus primeiros, mas caminha na direção certa. “Esse é o primeiro coletivo de estudantes em um conselho profissional do Brasil. Temos pensado na democratização do Sistema Conselhos, com a mudança na Lei 5.766, e acho que o Coletivo é um exemplo da democratização dentro do CRP-RJ”.
Para mais informações sobre o Coletivo de Estudantes, entre em contato através do e-mail coletivodeestudante@crprj.org.br.
Texto e fotos: Bárbara Skaba
27 de janeiro de 2009