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Notícias 2008

Mesa redonda debate o mercado de trabalho dos psicólogos

Foto da mesa de palestrantes.

Foto do público do evento.

A mesa redonda “O Mercado que temos, o trabalho que queremos” fez uma breve análise contextualizando a função do psicólogo no mercado de trabalho contemporâneo e promoveu debate e reflexão em torno da função social do profissional de Psicologia.

Um dos pontos altos do primeiro dia da II Mostra Regional de Práticas em Psicologia, realizada pelo Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro (CRP-RJ) entre 10 e 12 de julho, foi uma mesa redonda sobre o tema “O Mercado que temos, o trabalho que queremos”. Mediada pela coordenadora da Comissão de Análise para a Emissão de Título de Especialista (CATE) do CRP-05, Maria da Conceição Nascimento, a mesa teve como palestrante Miguel Ângelo Barbosa Maia, mestre em Psicologia pela UFF na área de Subjetividade, Política e Exclusão Social e especialista em Educação para a Saúde.

A mediadora fez uma breve análise introdutória, contextualizando a função do psicólogo no mercado de trabalho contemporâneo. Ela ponderou, também, que a Mostra tem como objetivo problematizar as práticas em Psicologia e promover debate e reflexão em torno da função social do profissional de Psicologia.

Miguel Maia analisou a construção da atitude ética do psicólogo, como meio de posicioná-lo perante o mercado e suas exigências. Ele considerou que, atualmente, a conflituosa relação entre o trabalhador e seu trabalho faz com que a psicologia tenha a função reguladora nessas relações. Maia destacou, também, a importância da inventividade, da singularidade e da autonomia dos trabalhadores como possível alternativa ao modelo do mercado de trabalho em vigor.

O psicólogo também discordou da compartimentalização da psicologia em especializações estanques. “Somos psicólogos onde estivermos”, concluiu, contrariando a atual divisão da Psicologia em especialidades.

De acordo com o palestrante, é importante haver uma humanização do trabalho. “Criamos uma espécie de dicotomia entre trabalhador e trabalho, de forma que qualquer problema é atribuído ao fator humano”.  Salientou, ainda, que humanizar o trabalhar significa romper com a perspectiva da filosofia humanista, que cria um modelo humano padronizado. Deste modo, caberia ao profissional psicólogo potencializar a singularidade, focando a questão na relação capital/trabalho, não individualizando as questões.

Durante o debate foi discutida também a precarizacão do trabalho e as situações de violação de direitos humanos que os psicólogos estão vivenciando em algumas de suas práticas. Miguel terminou sua intervenção sugerindo que mais fóruns, com o da II Mostra em Psicologia, fossem instituídos para o debate amplo dos conflitos éticos inerentes ao mercado de trabalho capitalista contemporâneo.

Ao final, realizou-se um debate entre o palestrante e os presentes. Entre os temas abordados, esteve presente a questão da precarização das condições de trabalho do psicólogo, levantada pelo conselheiro do CRP-RJ Lindomar Darós, cunhada no modelo de terceirização da força de trabalho. Outro assunto discutido foi a formação do psicólogo. “O tema ‘O mercado que temos, o trabalho que queremos’ me remete à formação que devemos ter. A Psicologia é uma das poucas profissões regulamentadas, mas grande parte dos alunos não conhece suas resoluções”, destacou o vice-presidente do CRP-RJ, Pedro Paulo Bicalho.

Miguel Maia fechou a mesa defendendo o fim da especialização, não apenas na Psicologia, mas em toda a área da saúde. “Psicólogos, psiquiatras, médicos e enfermeiros somos todos profissionais de saúde, e temos que nos unir em defesa dessa prática”.  O palestrante afirmou que, às vezes, o psicólogo, quando atua em Psicologia do trabalho, termina constituindo-se no “porteiro do mercado de trabalho”, ou seja, aquele que define quem pode ou não entrar.

Veja mais notícias sobre a II Mostra.

Texto: Felipe Simões
Fotos: Bárbara Skaba

10 de julho de 2008

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