Página Principal > Notícias > Notícias 2008 > CRP-RJ participa de debate sobre dependência química em Saquarema
A convite de psicólogos de Saquarema, por importante iniciativa do graduando em psicologia, Ronaldo Garcia, o CRP-RJ participou de um evento na cidade, localizada na Região dos Lagos, no dia 21 de junho. O objetivo do encontro, voltado tanto para psicólogos quanto para educadores, jovens e outros interessados na temática, foi discutir o consumo abusivo de drogas na região e as propostas locais para lidar com este fenômeno.


O encontro, voltado tanto para psicólogos quanto para educadores, jovens e outros interessados na temática, teve o objetivo de discutir o consumo abusivo de drogas na região e as propostas locais para lidar com este fenômeno.
O CRP-RJ foi representado pela conselheira e coordenadora da Comissão de Saúde Ana Carla Souza Silveira da Silva (CRP 05/18427) e pelo psicólogo e colaborador da mesma Comissão Rodrigo Pereira dos Santos. Também participou do evento a psicóloga e professora universitária Christina Bastos.
O evento foi aberto com apresentação do papel do CRP-RJ. Rodrigo destacou que a presença do CRP-RJ no encontro tinha como objetivo trocar experiências com os presentes. “Através do CRP, procuramos conhecer como os psicólogos e a sociedade em geral têm abordado a questão da saúde”, explicou.
Ana Carla afirmou a importância de o CRP-RJ participar de um evento organizado pela iniciativa dos próprios psicólogos. “Queremos possibilitar uma troca”. A conselheira também destacou que o tema das drogas precisa ser debatido. “Nossas temáticas, no CRP, são sempre voltadas para a sociedade. Nossa atual gestão é focada nas políticas públicas e nos Direitos Humanos”, disse.
Em seguida, ocorreu a palestra sobre o uso de drogas por jovens e o papel de psicólogos e educadores nessa situação. Christina começou falando sobre os sistemas transversais, um dos parâmetros curriculares adotados atualmente. O objetivo é pensar temas pertinentes ao cotidiano dentro dos conteúdos escolares. “Um exemplo é a questão da droga. Como ela pode ser abordada na sala de aula? É uma questão do cotidiano que atravessa a Educação. Por isso, é um sistema transversal”.
A psicóloga destacou a importância de apresentar o tema de forma aberta para que os jovens possam formar uma opinião. “Para o adolescente formar uma crítica com relação aos valores colocados para ele, é preciso que haja discussão. Fingir que a droga não existe, não falar sobre isso na escola, não adianta”.
Ela explicou também que é preciso conversar com o jovem que consome drogas para entender seus motivos. “Não adianta só dizer que a droga é ruim. Se ele usa, é porque acha bom. Há várias razões para esse consumo: para ficar alegre, para combater a ansiedade, para compensar frustrações. A partir do momento que sabemos por que o adolescente usa droga, podemos discutir com ele as conseqüências e procurar outras formas de combater essas frustrações e ansiedades”.
Em seguida, representantes dos Narcóticos Anônimos da cidade contaram suas experiências e falaram aos presentes sobre o uso de drogas, tanto lícitas quanto ilícitas, e o trabalho que vêm desenvolvendo na cidade.

A oficina “ApropriAção em Saúde" abordou temas como o uso de drogas por crianças de rua e freqüentadores das escolas, a penalização por meio de dispositivos assistenciais públicos, preconceito e a dificuldade na construção de rede de recursos para lidar com o tema da dependência química.
Após as palestras, Ana Carla e Rodrigo desenvolveram com os presentes a oficina “ApropriAção em Saúde", realizada freqüentemente pela Comissão de Saúde. A atividade consiste na apresentação, através de vinhetas, de situações-problema reais, para os participantes, que escolhem o caso com que mais se identificaram e o discutem. As vinhetas abordaram temas como o uso de drogas por crianças de rua e freqüentadores das escolas, a penalização por meio de dispositivos assistenciais públicos, preconceito, a dificuldade na construção de rede de recursos para lidar com o tema da dependência química etc.
Em seguida, foi aberto o debate, onde cada participante se apresentou e falou sobre sua experiência. A grande maioria dos participantes se mostrou satisfeita e agradecida pelo evento e destacou que esse tipo de encontro acontece pouco na região. “Eventos assim na Região dos Lagos são raríssimos”, frisou uma psicóloga. Outra participante afirmou a importância de trazer o tema para discussão na cidade. “Esperamos outros eventos na área de Psicologia e em outras áreas também”.
Os representantes da Comissão de Saúde encerraram a atividade destacando que a proposta da oficina é ser o “disparador na construção de uma rede dentro da cidade, a partir dessa troca de experiências”. Um exemplo foi a situação de uma psicóloga que afirmou que oferece seus serviços gratuitamente em escolas de Saquarema para ajudar os alunos e não é aceita, enquanto uma jovem contou que sua mãe, que é diretora de uma escola, depara-se constantemente com o tema das drogas entre alunos e não consegue uma psicóloga para ajudá-la. “O evento possibilita encontros, que podem ser usados para formar uma rede, que vai se expandindo”, concluiu Rodrigo.
Texto e fotos: Bárbara Skaba
26 de junho de 2008