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Notícias 2008

CFP discute educação inclusiva no Fórum Mundial de Educação

A mesa intitulada “Psicologia e Políticas Públicas: trabalhando pela educação inclusiva”, organizada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) no Fórum Mundial de Educação, contou com a participação de Cristina Delou, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), da pedagoga Conceição Chagas, do Rio de Janeiro, e da psicóloga Iolete Silva, do Conselho Federal de Psicologia.

CFP discute Educação Inclusiva em mesa intitulada “Psicologia e Políticas Públicas: trabalhando pela educação inclusiva”.

CFP discute Educação Inclusiva em mesa intitulada “Psicologia e Políticas Públicas: trabalhando pela educação inclusiva”.

Conceição Chagas questionou a presença do racismo nas escolas e na sociedade brasileira. Ela destacou o importante papel social de educadores, afirmando que o “professor é um agente de transformação de personalidades, que podem estar adoecidas”. Aproveitando a presença do grande número de estudantes do curso de Formação de Professores, a pedagoga sugeriu leituras sobre o tema, com o objetivo de eliminar atitudes racistas nas salas de aula: “Com o intuito de produzir aprendizado, às vezes os professores produzem racismos”, disse.

Cristina Delou também chamou atenção para o papel dos educadores: “O professor deve ter formação continuada”, disse. De acordo com ela, é preciso valorizar os pequenos progressos dos alunos. Ela destacou alguns avanços em relação a mecanismos de inclusão na educação brasileira: “Inúmeras crianças com Síndrome de Down hoje conseguem se alfabetizar”.

“Temos avanços na legislação, mas o direito à educação não tem sido garantido para todos. É necessário intensificar esforços para garantir uma sociedade mais inclusiva”, disse a psicóloga Iolete Silva. Ela ressaltou as recentes ações do CFP, que tem feito parceria com movimentos que defendem a educação inclusiva.

De acordo com Iolete, a luta pela inclusão abrange uma série de grupos sociais: não apenas deficientes físicos, mas ainda os adolescentes autores de atos infracionais e indígenas, entre outros. Aqueles adolescentes “também sempre têm um histórico de exclusão escolar”, ressaltou. Iolete, que é de Manaus, afirmou que a população indígena é “extremamente explorada, sofre muita violência e exclusão escolar. A população não tem respeitadas suas tradições, suas práticas”.

Conceição destacou o sofrimento sofrido pela população negra do país, resgatando sua exclusão ao longo da História: “Vejam, por exemplo, a situação em que nossos avós e bisavós [negros] estão: não sabem ler, não sabem escrever. Aqui no Rio de Janeiro ainda temos mania de chamar as pessoas de ‘moreninhas’ [em vez de negras]”, criticou.

Cristina destacou o papel político de professores: “É necessário conhecer o projeto político-pedagógico presente nas escolas, verificar que instrumentos legais a instância educativa — municipal, estadual ou federal — garante ao aluno. Escola não deve servir apenas para socializar. Se o aluno não aprende a ler no Ensino Fundamental, deve ser encaminhado para a Educação de Jovens e Adultos (EJA)”.

Iolete afirmou, ainda, a importância da idéia de “rede”, na garantia da educação de qualidade. A psicóloga divulgou o e-mail educação_inclusiva@yahoogrupos.com.br para os interessados em discutir o assunto.

Texto e foto: Jean Souza

02 de abril de 2008

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