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Notícias 2006

Comissão de Direitos Humanos realiza debate na semana do psicólogo

Foto do vídeo-debate no auditório do CRP-RJ.

Comissão de Direitos Humanos organizou o vídeo-debate “Medicalização da Vida escolar”.

Como parte dos eventos da semana de comemoração ao Dia do Psicólogo, a Comissão de Direitos Humanos organizou, no dia 29 de agosto, no auditório do CRP-RJ, o vídeo-debate “Medicalização da Vida escolar”, com a psicóloga e mestre em educação pela Uni-Rio, Helena do Rego Monteiro.

O conselheiro presidente do CRP-RJ José Novaes abriu o evento, realizando a entrega da menção honrosa na categoria psicólogo do Prêmio Monográfico Pedro Parafita Bessa à psicóloga Waleska Borges Cheibub pela monografia “Práticas disciplinares e uso de drogas: a gestão dos ilegalismos na cena contemporânea”. O prêmio é uma iniciativa do Conselho Federal de Psicologia e teve, este ano, o tema "Subjetividade, Encarceramento e Sistema Prisional: desafios para a Psicologia". Os textos premiados serão publicados na Edição n.º 26.4 da Revista Psicologia Ciência e Profissão.

Depois da entrega da menção, a conselheira coordenadora da Comissão de Direitos Humanos, Cecília Coimbra, apresentou os objetivos do debate e chamou os presentes a participarem o II Seminário de Psicologia e Direitos Humanos, que será realizado em novembro, e também discutirá a questão da medicalização.

Helena iniciou, então, o debate falando sobre a pesquisa realizada durante sua dissertação de mestrado sobre a medicalização da vida escolar. “Queria, com esta pesquisa, saber qual era o especialista convocado hoje para atuar com a criança que fracassa na escola”, disse ela. “E descobri que o que se tem hoje é uma procura enorme por atenção médica. O fracasso escolar está sendo diretamente ligado à ‘transtornos’ psicológicos”. A psicóloga explicou que, hoje, cada vez mais está se relacionando déficit de atenção e mal-comportamento a características físicas ou biológicas. “Crianças que têm déficit de atenção ou que não se comportam como esperado na escola são cada vez mais diagnosticadas como portadoras do TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – ou do TDO – Transtorno Desafiador Opositivo. Com isso, ao contrário da década de 80, em que os pais davam aos filhos cálcio e estimuladores de apetite, hoje, as crianças tomam cada vez mais psicofármacos. Temos que entender porque isso acontece”.

Ela questionou a quantidade de estímulos recebidos pelas crianças em nossa sociedade atual. “Como se pode exigir que uma criança se concentre no estudo se fora da sala de aula ela é incentivada o tempo todo a realizar várias tarefas ao mesmo tempo? Entre o orkut, o MSN, o download de arquivos e a internet, as crianças se acostumam àquele ritmo. Caberia ao professor se adaptar e tentar ensinar sempre, não levar as crianças ao médico. Temos que parar de classificar, não é preciso um laudo que classifique o aluno para ensiná-lo”.

Ela salientou a posição em que as professoras se encontram nas escolas hoje. “Me incomodo com o lugar ruim que o professor ocupa hoje. Eles são submissos ao pode do médico. Não só do médico, do psicólogo também. Os psicólogos das escolas são vistos como um saber superior, que traz soluções e diagnósticos. É preciso deshierarquizar a relação, nivelar os saberes e se ajudar”.

Texto: Carolina Selvatici

02 de setembro de 2006

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