Página Principal > Notícias > Notícias 2006 > "O Elogio das Diferenças"
Um recente editorial escrito pelo presidente do CREMERJ, Dr. Paulo Cesar Geraldes, intitulado “O elogio da loucura”, desrespeita totalmente os psicólogos e demais integrantes do Movimento da Luta Antimanicomial que defendem os ideais da Reforma Psiquiátrica (leia o texto na íntegra aqui).
O Dr. Geraldes trata a loucura como uma doença incurável, que deve ser trancafiada em hospitais. Segundo ele, “o futuro foi barrado pela loucura. Não mais estudos, não mais trabalho, não mais profissão, não mais esperanças”, como se a vida dos que sofrem de transtornos mentais tivesse acabado.
Para desacreditar os que pensam em contrário, são usadas agressões gratuitas, como a expressão “mentira antimanicomial” e a afirmação “querem se aproveitar (da loucura) de algum modo, caso do chamado movimento antimanicomial”. O texto é concluído de forma categórica, com as frases “E, se a Arte dependesse da Loucura para existir, Morte à Arte. Viva a Sanidade Mental!!!!!!” (com todas essas exclamações).
O editorial também dá informações equivocadas, dizendo que o Movimento afirma que “loucura não existe, é uma criação dos psiquiatras” e que “o louco (...) não deve ser internado em nenhuma hipótese”. Na verdade, o Movimento não nega que a loucura exista como produção de sofrimento, só que a vê a partir de um novo paradigma, o da atenção psicossocial. Da mesma forma, sabe da importância do tratamento para os diversos tipos de sofrimento mental, e por isso não aceita intervenções que excluam o sujeito do seu meio, de todo e qualquer contato social, tratando-o como um animal perigoso que deva ser trancafiado. Não se trata de um elogio da loucura, ou do sofrimento do outro, mas de um elogio das diferenças, respeitando a capacidade produtiva, artística, de existência daqueles que sofrem preconceitos e a quem são negados a possibilidade de viver com dignidade, respeito e reconhecimento social.
O Movimento da Luta Antimanicomial e o CRP-RJ, que partilha dos seus ideais, repudiam as afirmações do presidente do CREMERJ. Ambas as instituições acreditam que a melhor resposta a ser dada é a última edição do jornal do CRP-RJ, que abordou o tema da Reforma Psiquiátrica com responsabilidade, em defesa da política do Sistema Único de Saúde, da construção da rede substitutiva de serviços de saúde mental e da transformação social. Veja as reportagens, entrevistas e artigos presentes nesta edição.
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10 de julho de 2006